O ministro Alexandre de Moraes, do STF, vai ouvir a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro nesta terça-feira (30) antes de decidir se prorroga ou encerra o período de prisão domiciliar, que completa 90 dias.
Aliados e familiares defendem a renovação da medida, alegando que Bolsonaro ainda apresenta um quadro de saúde delicado, apesar da melhora registrada nos últimos meses, com redução das crises de soluço. Segundo pessoas próximas, seu estado ainda inspira cuidados e uma eventual volta ao sistema prisional poderia representar riscos.
A decisão de Moraes, no entanto, passou a ser vista como incerta após a apreensão de uma arma de Bolsonaro com um de seus seguranças durante uma blitz. Em despacho, o ministro classificou o episódio como uma possível “falta grave”, que poderia justificar o fim da prisão domiciliar, e solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A PGR afirmou, por enquanto, não identificar falta disciplinar por parte do ex-presidente e defendeu aguardar o resultado das investigações, avaliação que pode influenciar a decisão do ministro.
Nos bastidores, interlocutores de Bolsonaro acreditam que Moraes estaria inclinado a encerrar a prisão domiciliar, embora reconheçam que o parecer da PGR pode alterar esse cenário. Integrantes do STF também defendem a manutenção da medida.
Aliados do ex-presidente avaliam que uma eventual transferência para a unidade conhecida como Papudinha fortaleceria o discurso de perseguição política, podendo impulsionar a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto e aumentar a tensão no cenário político. Ao mesmo tempo, pessoas próximas afirmam que Bolsonaro vive um período de isolamento político, apesar da recuperação parcial de sua saúde.