Sem mencionar EUA, Lula vai abordar combate ao crime organizado em discurso na ONU

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve abordar o combate ao crime organizado durante seu discurso na Assembleia-Geral da ONU, na próxima terça-feira (22), em Nova York. A previsão é que o tema seja tratado sem menções diretas ao governo de Donald Trump.

Segundo uma fonte diplomática envolvida na preparação do pronunciamento, a orientação é evitar referências nominais aos Estados Unidos, mas apresentar críticas a medidas de segurança que vêm sendo articuladas nas Américas.

Lula deve defender a importância da cooperação internacional no enfrentamento às organizações criminosas e abordar a atuação estrangeira em questões relacionadas à segurança pública. Entre os temas que não devem ser citados diretamente está o chamado Escudo das Américas, iniciativa apoiada por Trump que reúne governos latino-americanos em uma articulação contra cartéis de drogas.

A questão ganhou ainda mais relevância após o governo norte-americano afirmar que o Brasil não estaria fazendo o suficiente para combater facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). O governo brasileiro rejeitou as críticas e afirmou que a gestão Trump desconsidera medidas adotadas no país e iniciativas de cooperação entre os dois governos.

O Ministério da Justiça também contestou a avaliação e citou ações recentes, como a Lei Antifacção e um pacote de R$ 11 bilhões anunciado para combater financeiramente as organizações criminosas.

Além da segurança pública, Lula deve abordar a interferência estrangeira nas eleições brasileiras. Um encontro formal com Trump durante a passagem pela ONU é considerado improvável, embora não esteja descartada uma conversa informal entre os dois.

Lula deve chegar a Nova York no domingo (20). Na terça-feira, fará o tradicional discurso de abertura dos chefes de Estado na Assembleia-Geral e, após o almoço, deverá retornar ao Brasil.

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