Em balanço, Grupo Pão de Açúcar cita 'incerteza relevante' sobre continuidade operacional da empresa

O GPA (Grupo Pão de Açúcar) informou que existe “incerteza relevante” quanto à sua continuidade operacional, conforme registrado nas notas explicativas do balanço do quarto trimestre de 2025. A companhia, quinta maior rede do varejo alimentar do país, apresentou prejuízo acima do esperado pelo mercado e déficit de R$ 1,2 bilhão no capital circulante líquido ao fim de dezembro.

O resultado é impactado principalmente por empréstimos e debêntures que somam R$ 1,7 bilhão com vencimento previsto para 2026. Apesar de melhora em indicadores operacionais e geração positiva recorrente de caixa, a empresa segue acumulando prejuízos. No quarto trimestre, o resultado negativo foi de R$ 572 milhões — 48,2% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior, mas acima da estimativa de analistas, que projetavam prejuízo de R$ 134 milhões.

A companhia afirma que negocia o alongamento de dívidas financeiras e avalia alternativas como venda de créditos tributários, embora ainda não haja contratos firmados. As demonstrações financeiras foram elaboradas considerando a continuidade das operações.

A receita líquida do trimestre totalizou R$ 5,11 bilhões, queda de 2% na comparação anual. As vendas totais, incluindo a bandeira Extra, somaram R$ 5,6 bilhões, recuo de 0,4%. No conceito de mesmas lojas, houve alta de 2,7%. Segundo a empresa, o mercado alimentar apresentou demanda mais fraca e menor impacto da inflação nos preços.

No terceiro trimestre, o grupo concluiu a segunda etapa de reestruturação administrativa, com corte de 700 postos de trabalho. Em agosto de 2025, a família Coelho Diniz assumiu a posição de principal acionista. Em janeiro, Alexandre de Jesus Santoro foi eleito CEO da companhia.

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