Após 54 dias de paralisação, a greve dos estudantes da USP está próxima do fim. Em assembleia realizada na segunda-feira (8), os alunos aprovaram, por 323 votos a 255 (com 9 abstenções), a recomendação de encerrar o movimento e retomar as aulas. A decisão, porém, ainda depende de assembleias em cada unidade da universidade.
Iniciada em 14 de abril, a greve alcançou as 43 unidades da USP e se tornou uma das maiores mobilizações estudantis da última década. O movimento começou em oposição à criação da Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (Gace), destinada a docentes, mas passou a focar principalmente em reivindicações ligadas à permanência estudantil.
A principal demanda era o aumento do valor do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (Pafpe), voltado a alunos em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Inicialmente, os estudantes defendiam que o benefício fosse equiparado ao salário mínimo paulista (R$ 1.874), reduzindo depois a proposta para R$ 1.096 mensais.
A reitoria ofereceu reajuste do auxílio de R$ 885 para R$ 912, equivalente à recomposição da inflação acumulada desde 2022, além de prometer melhorias no Crusp e ampliar o diálogo com os estudantes. As propostas, entretanto, foram consideradas insuficientes pelo movimento.
Durante quase dois meses, a greve foi marcada por protestos, piquetes e ocupações, incluindo a tomada da reitoria em maio para pressionar por negociações. A administração acionou a Polícia Militar para desocupar o prédio, gerando um dos momentos mais tensos da paralisação.
O reitor Aluísio Segurado afirmou que a universidade havia atingido o limite de negociação e que a greve passou a incorporar pautas além da gestão universitária. Já os representantes estudantis acusaram a administração de interromper o diálogo antes da discussão das principais reivindicações.
Com a redução gradual da adesão ao movimento, o retorno às aulas em diversas unidades e a proximidade do fim do semestre, cresceu entre os próprios estudantes a defesa de uma solução negociada para evitar maiores prejuízos acadêmicos. Agora, a expectativa é pela definição do calendário de reposição das atividades suspensas.