A morte do influenciador fitness Gabriel Ganley, de 22 anos, gerou grande repercussão no universo do fisiculturismo neste sábado (23). Com mais de 1,6 milhão de seguidores nas redes sociais, ele era considerado um dos principais criadores de conteúdo do segmento fitness no Brasil.
A causa da morte ainda não foi oficialmente confirmada, mas uma das hipóteses levantadas é uma possível crise de hipoglicemia — condição provocada pela queda acentuada dos níveis de glicose no sangue. Segundo especialistas, o quadro pode se tornar grave quando a glicose atinge níveis muito baixos, comprometendo o funcionamento do cérebro e podendo causar perda de consciência, convulsões, coma e até parada cardíaca.
De acordo com o endocrinologista Bruno Geloneze, pesquisador da Universidade Estadual de Campinas, o cérebro depende quase exclusivamente da glicose para funcionar. “Quando falta açúcar no sangue, o organismo entra em colapso rapidamente”, explicou.
A suspeita de hipoglicemia estaria relacionada ao uso de hormônios para ganho de massa muscular. O próprio influenciador havia revelado recentemente o uso de substâncias com o objetivo de competir na categoria Open do fisiculturismo, considerada uma das mais tradicionais e exigentes da modalidade.
Especialistas alertam que o uso irregular de insulina por pessoas não diabéticas, prática associada ao chamado “fisiculturismo moderno”, pode trazer sérios riscos à saúde. O hormônio é utilizado de forma clandestina por alguns atletas para potencializar o ganho muscular, geralmente combinado com anabolizantes e hormônio do crescimento.
Segundo médicos, erros na dosagem da insulina ou na ingestão adequada de carboidratos podem provocar crises graves de hipoglicemia. Além disso, o uso prolongado e sem acompanhamento profissional também pode aumentar o risco de arritmias cardíacas e até levar ao desenvolvimento de diabetes no futuro.
O caso reacendeu o debate sobre a disseminação de informações sem embasamento científico nas redes sociais e em fóruns ligados ao fisiculturismo. Especialistas reforçam o alerta sobre os perigos do uso de hormônios e medicamentos sem orientação médica adequada.