Entidades médicas negam epidemia de micropênis e alertam para uso de hormônios em crianças

Quatro das principais entidades médicas do país — Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e Sociedade Brasileira de Cirurgia Pediátrica (CIPE) — divulgaram um alerta sobre a circulação de informações falsas nas redes sociais a respeito de uma suposta “epidemia de micropênis”.

Segundo as entidades, vídeos têm incentivado pais a medirem o pênis de seus filhos em casa e, com base nisso, administrarem hormônios sem orientação médica — prática considerada perigosa. Especialistas reforçam que não há aumento de casos da condição e que o tamanho peniano infantil permanece estável ao longo das últimas décadas.

A nota destaca que medições fora do ambiente clínico apresentam alta margem de erro e podem gerar ansiedade nas famílias, além de levar a tratamentos inadequados. O uso indevido de hormônios na infância pode causar efeitos graves e irreversíveis, como infertilidade, alterações no crescimento e desequilíbrios hormonais.

O micropênis é uma condição rara, diagnosticada quando o tamanho do órgão está significativamente abaixo da média para a idade. A avaliação correta exige acompanhamento médico especializado, com exames clínicos e, em alguns casos, laboratoriais e genéticos.

Muitos casos que preocupam os pais, na verdade, estão relacionados ao chamado “pênis embutido”, quando o órgão fica parcialmente escondido pela gordura na região pubiana, não sendo uma condição patológica.

As entidades orientam que qualquer dúvida sobre o desenvolvimento infantil deve ser avaliada por profissionais de saúde, evitando comparações ou diagnósticos caseiros. Os órgãos também informaram que irão acionar autoridades como o Ministério da Saúde e a Anvisa para investigar a disseminação dessas práticas.

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