Escalada do petróleo preocupa governo, que busca reduzir possível efeito sobre popularidade de Lula

A alta do preço do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, tem causado preocupação dentro do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por possíveis impactos no preço dos combustíveis no Brasil durante o período eleitoral.

O barril do petróleo Brent, referência mundial, saltou de US$ 72 em 27 de fevereiro — um dia antes do início dos ataques — para quase US$ 120 no domingo (8), uma alta de 66%. Apesar da forte elevação, a cotação voltou a oscilar e ficou abaixo de US$ 100 na tarde de segunda-feira (9).

Importadoras de combustíveis afirmam que há defasagem nos preços praticados pela Petrobras e pressionam por reajustes. Segundo o setor, o diesel estaria R$ 2,74 por litro abaixo da paridade internacional e a gasolina R$ 1,22.

Dentro do PT, há receio de que um eventual aumento nos combustíveis eleve a rejeição ao presidente e afete a disputa eleitoral. Uma estratégia debatida entre aliados seria atribuir a responsabilidade pela alta à oposição, que apoiou os Estados Unidos no conflito, e à privatização da BR Distribuidora durante o governo de Jair Bolsonaro, o que teria reduzido a capacidade do governo de influenciar o preço final nos postos.

Pesquisa do Datafolha divulgada no fim de semana mostra Lula com 46% de rejeição entre os eleitores, contra 45% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), configurando empate técnico em um eventual segundo turno. O levantamento ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios entre os dias 3 e 5, com margem de erro de dois pontos.

Além do impacto direto na gasolina e no diesel, integrantes do governo também temem reflexos mais amplos na economia, como a manutenção de juros elevados por mais tempo e aumento no custo de alimentos e outros produtos devido ao transporte mais caro.

Por outro lado, membros do governo avaliam que a alta do petróleo pode elevar a arrecadação da União com royalties e dividendos da Petrobras, o que ajudaria no equilíbrio das contas públicas.

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