Desde junho do ano passado, escolas estaduais de São Paulo ficaram sem repasses para manutenção predial, o que comprometeu reparos básicos como conserto de telhados, janelas, ventiladores, limpeza de caixas-d’água, dedetização e desratização. A situação se agravou às vésperas do início do ano letivo, com diretores relatando também falta de carteiras e cadeiras — sem reposição há três anos — e recorrendo a doações entre unidades.
Os recursos fazem parte do PDDE Paulista, criado em 2019 para dar autonomia financeira às escolas. Em 2025, os diretores foram informados de que receberiam três parcelas (fevereiro, junho e outubro), mas a última não foi paga, acumulando problemas no segundo semestre. A expectativa era receber os valores ainda em dezembro para realizar obras durante as férias.
Após questionamento da Folha de S.Paulo, a Secretaria da Educação informou ter liberado os recursos na segunda-feira (19), dando 13 dias para execução dos reparos antes do retorno às aulas. Diretores, sob anonimato, relataram prejuízos à rotina escolar, inclusive com salas alagadas após temporais e mobiliário inadequado para crianças dos anos iniciais.
O cenário ocorre um ano após a aprovação de uma PEC que reduziu de 30% para 25% a obrigatoriedade de gasto com educação a partir de 2025, e em meio ao plano do governo Tarcísio de Freitas de ampliar a terceirização da manutenção via PPP, incluindo 143 escolas da capital.
Em nota, a secretaria afirmou ter liberado R$ 232 milhões do PDDE 2026 para mais de 4,6 mil escolas, e disse que em 2025 foram repassados R$ 787 milhões. Informou ainda que o orçamento previsto para 2026 é de R$ 408,1 milhões, superior ao do ano anterior, com possibilidade de ampliação conforme a arrecadação.