Apesar do estigma de que o brasileiro lê pouco, eventos literários movimentados em todo o país indicam o contrário: há interesse pela leitura, especialmente quando o acesso é facilitado. No Dia Nacional da Educação, especialistas como Edson Furmankiewicz e José M. Braga destacam os benefícios da leitura para o cérebro, como a ampliação do vocabulário, o fortalecimento da memória e o estímulo à inteligência. Segundo eles, ler é um exercício mental tão importante quanto o exercício físico para o corpo.
O Brasil, no entanto, ainda enfrenta índices baixos de leitura. A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (2020) aponta que apenas 44% da população havia lido ao menos um livro nos três meses anteriores à coleta dos dados. Apesar disso, o sucesso de eventos como a Bienal do Livro, a Flip e feiras regionais mostra que existe um público ávido por livros — principalmente quando há diversidade de temas, autores acessíveis e experiências culturais envolvidas.
Os especialistas defendem que a leitura precisa ser incentivada de forma mais ampla, com políticas públicas, apoio a editoras independentes e valorização da produção nacional. Furmankiewicz e Braga, que lançaram recentemente um guia sobre o mercado editorial com mais de 500 páginas, ressaltam que muitos leitores ainda buscam obras densas e bem produzidas, contrariando a ideia de que só se consome conteúdo rápido hoje em dia.
Ambos acreditam que o futuro da leitura no Brasil depende de qualidade e acessibilidade. “O que realmente faz diferença é o cuidado em cada etapa do processo — e o respeito pelo leitor”, conclui Furmankiewicz.