Os Estados Unidos interceptaram e apreenderam, nesta quarta-feira (7), dois petroleiros que transportavam petróleo venezuelano, em mais um desdobramento da crise desencadeada após a captura do ditador Nicolás Maduro e de sua esposa por forças americanas no último sábado (3). Uma das embarcações apreendidas navegava no Atlântico Norte sob bandeira russa; a outra, de menor porte, operava no Caribe e utilizava bandeira panamenha, embora já estivesse sancionada por integrar a chamada “frota fantasma” russa.
A ação no Atlântico Norte envolveu navios de guerra e aeronaves dos EUA, além da suspeita de escolta russa, incluindo um submarino, hipótese minimizada por analistas em Moscou. O petroleiro Marinera, de 333 metros, havia mudado de nome, desligado sistemas de comunicação e passado a usar registro russo na tentativa de escapar do bloqueio imposto por Washington ao transporte de petróleo venezuelano. Mesmo assim, foi interceptado por forças especiais americanas a partir de um helicóptero, após perseguição de semanas.
A Rússia classificou a ação como violação do direito marítimo internacional e acusou os EUA de pirataria, pedindo tratamento digno aos tripulantes. Já o secretário de Defesa americano afirmou que o bloqueio permanece válido “em qualquer lugar do mundo”.
No Caribe, os EUA também apreenderam o navio Sophia, abordado por helicóptero, apesar de não haver ordem judicial específica, segundo Washington.
A crise afeta diretamente a Rússia, uma das principais apoiadoras do regime chavista, ao lado da China. Moscou forneceu bilhões em armas à Venezuela e manteve interesses no setor petrolífero. O endurecimento da postura americana também pressiona Cuba, dependente do petróleo venezuelano.
O foco central do governo Trump, além do isolamento político de Maduro, é o acesso às vastas reservas de petróleo da Venezuela. O presidente americano já anunciou um acordo para receber milhões de barris do país, embora os detalhes e a viabilidade da operação ainda sejam incertos.