Em meio ao aumento da imigração latino-americana e à menor taxa de desemprego da série histórica, os estrangeiros já respondem por cerca de 4% das contratações formais no Brasil. Dados do Caged indicam que, entre janeiro e outubro de 2025, o saldo de admissões de trabalhadores de outras nacionalidades foi positivo em 73,4 mil, superando o resultado de todo o ano anterior e representando um crescimento de quase 200% em relação a 2020.
Quase metade dos estrangeiros contratados são venezuelanos (47,8%), seguidos por haitianos, argentinos e paraguaios. A participação desse grupo no mercado formal vem crescendo de forma contínua desde a pandemia, acompanhando o aquecimento da economia e a queda do desemprego, que chegou a 5,4% no trimestre encerrado em outubro, o menor nível desde 2012, segundo o IBGE.
Especialistas apontam que a maior absorção de mão de obra estrangeira está ligada tanto ao fluxo migratório quanto à escassez de trabalhadores brasileiros em determinadas funções. A alta rotatividade do mercado formal, hoje em patamar recorde, também contribui para esse cenário. As principais vagas ocupadas por estrangeiros estão em setores com dificuldade de contratação, como alimentação de linha de produção, limpeza, açougues e construção civil.
Levantamento da Fiesp mostra que mais de 20% das indústrias paulistas que buscaram empregados recentemente não conseguiram preencher vagas. Para economistas, o Brasil se tornou um polo de atração regional, especialmente para países em crise, como a Venezuela e o Haiti.
Os venezuelanos se concentram principalmente nos estados do Sul, com destaque para Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Histórias individuais mostram trajetórias de adaptação, desafios com a língua e, em muitos casos, maior estabilidade profissional no Brasil em comparação aos países de origem.