Sete em cada dez trabalhadoras domésticas no Brasil estão cronicamente cansadas, sem tempo para descansar, dormir ou cuidar de si mesmas. Um estudo inédito revela que essa exaustão está ligada à sobrecarga de trabalho, baixos salários, falta de direitos, longos deslocamentos e à pressão para sustentar o lar — especialmente entre mães solo, que representam 34% da categoria.
Realizada pela Secretaria Nacional da Política de Cuidados e Família com apoio da OIT e da FITH, a pesquisa ouviu 665 trabalhadoras em todo o país. O levantamento mostra que 57% delas são chefes de família e que 80% são mulheres negras, grupo ainda mais afetado pela informalidade e desigualdade. No Norte e Nordeste, menos de 15% das trabalhadoras negras têm carteira assinada.
Além do trabalho direto com crianças, idosos e pessoas com deficiência, essas profissionais também cuidam da casa, da comida e da organização familiar — funções essenciais para a sociedade. Mesmo assim, são invisibilizadas e pouco valorizadas. “Fazemos tudo e recebemos um salário mínimo, quando muito”, diz Djane Clemente, 58, que já passou sete anos pegando seis conduções por dia para trabalhar.
Cerca de 65% ganham menos que o salário mínimo, sendo a situação pior no Nordeste (88%) e no Norte (83%). Muitas relatam não ter tempo para si: “Não consigo cuidar nem da minha saúde”, afirmam quatro em cada dez.
Para a secretária Laís Abramo, o problema vem de um histórico de preconceito de gênero e raça, reforçado por leis que excluem diaristas de direitos trabalhistas. A Política Nacional de Cuidados, aprovada em 2024, quer mudar esse cenário, garantindo trabalho decente, reconhecimento e dignidade a essas mulheres. Afinal, cuidar também é um direito.