O governo dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (1º) sanções contra dois brasileiros, três empresas de São Paulo e uma empresa de Portugal suspeitos de integrar um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital). Segundo a gestão de Donald Trump, a facção é considerada a maior organização criminosa do Ocidente.
As medidas foram aplicadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), órgão do Departamento do Tesouro, com base em decretos que permitem sanções relacionadas ao combate ao tráfico de drogas e ao terrorismo. Em maio, o PCC e o Comando Vermelho (CV) foram classificados pelos EUA como organizações terroristas.
Os principais alvos são Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. De acordo com o Tesouro americano, Shimada atuava como elo entre integrantes do PCC na Flórida e traficantes internacionais, sendo responsável por lavar mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões) por meio de criptomoedas.
As investigações apontam que o esquema utilizava empresas de fachada para ocultar a origem dos recursos e enviar dinheiro obtido com atividades criminosas nos Estados Unidos para integrantes da facção no Brasil. Foram sancionadas as empresas Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda., Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda., Wave Construções Inteligentes Ltda., todas sediadas em São Paulo, além da portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda.
Segundo o governo americano, Stella auxiliava Shimada na logística da operação, incluindo a retirada de grandes quantias em dinheiro.
O Departamento do Tesouro afirma que o PCC mantém atuação em território americano, principalmente na Flórida, onde integrantes seriam responsáveis por lavar recursos do tráfico internacional de drogas. Em janeiro, o FBI prendeu seis suspeitos ligados à organização no estado.
As sanções determinam o bloqueio de bens dos investigados que estejam nos Estados Unidos ou sob controle de cidadãos americanos, além de proibir empresas e pessoas dos EUA de realizar transações com os alvos. Instituições financeiras estrangeiras que mantenham negócios relevantes com os sancionados também poderão sofrer restrições.
Esta é a terceira vez que o Ofac aplica sanções contra o PCC. A facção já havia sido alvo do órgão em 2021 e, em 2024, o Tesouro também sancionou um apontado operador financeiro da organização.