O Atlas Mundial da Obesidade 2025 aponta que um em cada três brasileiros é obeso, e a tendência é de crescimento nos próximos anos. O estudo também estima que 68% da população esteja com sobrepeso. Apesar dos números alarmantes, o tratamento da obesidade no Brasil enfrenta entraves como falta de diagnóstico, carência de profissionais capacitados e ausência de medicamentos na rede pública.
Levantamento do Datafolha revela que quase seis em cada dez brasileiros estão obesos ou acima do peso, mas apenas 16% receberam diagnóstico formal. Para especialistas, a falha inicial compromete todo o tratamento, que deveria envolver acompanhamento multidisciplinar, com orientação alimentar, atividade física, apoio psicológico e, quando necessário, uso de medicamentos ou cirurgia.
No Sistema Único de Saúde, a principal abordagem é baseada em mudança de hábitos. No entanto, médicos afirmam que faltam opções farmacológicas. A sibutramina, por exemplo, teve incorporação negada após análise da Conitec, sob argumento de impacto orçamentário e resultados limitados a curto prazo.
Especialistas destacam que apenas cerca de 10% dos pacientes com obesidade seriam candidatos à cirurgia bariátrica. Ainda assim, o número de procedimentos realizados está abaixo do necessário. O Ministério da Saúde informa que realizou 14.014 cirurgias em 2025 e 9,7 milhões de atendimentos relacionados à obesidade, um crescimento de 57% em relação a 2022.
A pasta afirma investir em prevenção e solicitou prioridade à Anvisa para registro de medicamentos à base de semaglutida e liraglutida, cujos preços podem cair com a chegada de genéricos.
Especialistas reforçam que a obesidade é uma doença multifatorial, influenciada por genética, sedentarismo e alimentação inadequada, exigindo políticas públicas integradas para diagnóstico precoce e tratamento eficaz.