Causas e fatores de risco
“Não existe uma causa única identificada para a maioria dos casos de leucemia. Em geral, a doença resulta de mutações genéticas em células da medula óssea que desregulam divisão e diferenciação celular. Entre fatores de risco reconhecidos estão: exposição à radiação ionizante; exposição a substâncias químicas como benzeno; história prévia de quimioterapia ou radioterapia para outros cânceres; determinantes genéticos e síndromes congênitas; além de idade e sexo (alguns tipos são mais frequentes em idosos, outros na infância)”, explica o hematologista do HSV, Dr. Felipe Ribeiro Bruniera.
Sintomas: sinais que não devem ser ignorados
Tratamentos e avanços
O tratamento da leucemia varia conforme o tipo e o risco da doença e, em geral, combina diferentes abordagens. A quimioterapia segue como base, especialmente nas formas agudas. As terapias-alvo, que atuam em alterações moleculares específicas, e a imunoterapia, incluindo anticorpos monoclonais e terapias celulares em casos selecionados, representam avanços importantes. Em situações de alto risco ou recidiva, o transplante de medula óssea pode oferecer chance de cura, embora envolva riscos e exija centros especializados. O suporte clínico, com transfusões, antibióticos e manejo de complicações, é essencial ao longo do tratamento. A integração entre diagnóstico molecular e terapias específicas tem ampliado a sobrevida, apesar das desigualdades de acesso no país.
De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o período de 2023 a 2025, o Brasil registra cerca de 11 a 12 mil novos casos de leucemia por ano. A doença está entre os dez tipos de câncer mais frequentes no país e é o câncer mais comum na infância. As regiões Sudeste e Sul concentram a maior parte dos diagnósticos, refletindo maior população e maior capacidade de detecção. Estudos apontam variações regionais e por faixa etária, reforçando a necessidade de políticas públicas voltadas ao diagnóstico precoce e ao acesso ao tratamento.
“Não há formas comprovadas de prevenir a maioria dos casos de leucemia e a sua prevenção ainda não é totalmente compreendida. Ainda assim, reduzir a exposição a agentes químicos como o benzeno, evitar o tabagismo, manter uma dieta saudável, exercícios físicos regulares, evitar radiação desnecessária, monitorar condições médicas e promover o acesso rápido aos serviços de saúde são medidas importantes. Campanhas como o Fevereiro Laranja têm papel fundamental na conscientização da população sobre sinais e sintomas da doença”, conclui Dr. Felipe.