Balaio de Leituras incentiva contato de idosos com acervo municipal e promove inclusão do público com deficiência visual

Fomentado pelo edital estadual Difusão Cult SP e feito em parceria com a Prefeitura de Várzea Paulista, para trazer vivências de leitura, interpretação e convivência aos munícipes do Centro de Convivência da Pessoa Idosa Lydia Mojola Gut

Nesta terça-feira (4), o CCPI (Centro de Convivência da Pessoa Idosa) Lydia Mojola Gut deu continuidade ao segundo ciclo do Balaio de Leituras. Viabilizado pelo edital estadual Difusão Cult SP e feito em parceria com a Prefeitura de Várzea Paulista, o projeto é realizado na cidade desde julho. Em agosto, as ações conduzidas pelo produtor cultural Luan Vitor e a artista visual e arteterapeuta Bella Tozini priorizarão estreitar os laços dos idosos com a Biblioteca Municipal Prof.ª Zulmar Zuleika Turcatto Maraccini, com o Baú de Leituras. O encontro contemplou a leitura inclusiva para pessoas com deficiência visual e incentivos de autoridades municipais.

Além da discussão e leitura literária em voz alta, a ação reservou um importante espaço à inclusão do público com deficiência visual, na leitura coletiva do conto “aurora e rubi”, um dos textos do audiolivro “vila mathusa”, da autora Zênite Astra. O acervo do projeto, que passa a integrar o patrimônio da Biblioteca Municipal, ficou à disposição dos participantes; os títulos já podem ser alugados pelos idosos. A exposição temporária permanecerá no CCPI ao longo do mês.

O intuito do projeto é aproximar o público idoso da leitura literária e promover a integração de pessoas com diferentes trajetórias de leitura — tanto os já experientes na leitura, quanto os iniciantes. A metodologia busca maximizar o aproveitamento por parte dos munícipes da melhor idade, com leitura coletiva em voz alta, mediação literária e oficinas, para valorizar a escuta, a participação voluntária e a construção de sentidos. A leitura é bem utilizada como um meio de ampliar vivências socioculturais e fortalecer vínculos sociais.

O produtor fez questão de valorizar a adesão do público do CCPI, que vem sendo considerável. “Reforço meu agradecimento a vocês, pois, sem essa participação, o projeto não teria êxito”, elogiou.

Incentivo contínuo à leitura

O gestor executivo municipal de Cultura e Turismo, William Paixão, ressaltou a pertinência do projeto, apontado por seu próprio autor, para que os idosos possam aprimorar a interpretação de texto, por meio das conversas e trocas de experiência sobre os livros lidos pelos munícipes. Para o administrador, as atividades ainda possibilitam exercer o respeito, empatia e o contato saudável entre visões distintas de mundo. Além disso, o Balaio de Leituras reforça o acervo da Biblioteca Municipal e estreita os laços dos idosos com o espaço público de leitura. 

“O projeto tem um resultado infinitamente maior que o investimento feito, que já é interessante e financiado por um edital estadual, ou seja, a Prefeitura praticamente ganha um grande presente. A gente fica feliz por ver um cara tão competente como o Luan tocando um projeto como esse com o total apoio da Unidade Gestora, da Prefeitura e tendo adesão do público para o projeto ser aplicado. Então é um programa que só apresenta ganhos. Estamos bastante satisfeitos”, celebrou.

O gestor municipal de Esporte, Lazer, Cultura e Turismo, Júlio Pardal, parabenizou Luan Vitor e os demais envolvidos no projeto, e mostrou muita animação para seguir com o processo contínuo de incentivar o público idoso a ler. “Este é um trabalho que a gente está fazendo agora com os idosos do CCPI e que também será levado aos idosos que participam das atividades esportivas que promovemos, como os do vôlei adaptado, por exemplo.

O gestor municipal de Desenvolvimento Social, Leandro Marques, enalteceu os enormes benefícios de ler e debater os livros. “Quando a gente vê livros, isso nos remete a muito do que a gente já viveu, da nossa infância, do nosso tempo de escola correndo atrás de bibliotecas. Isso é muito importante e nos enriquece. Essas ações possibilitam compartilhar experiências e estar aqui com vocês, vivenciando tudo isso aqui, é maravilhoso”, declarou.

Biblioteca sempre à disposição

O agente cultural da Prefeitura, Luiz Eduardo de Oliveira Silva, reforçou o convite para os idosos visitarem cada vez mais a Biblioteca Municipal, para lerem no próprio local, ou alugarem os livros, e comemorou a possibilidade de o acervo chegar a outros lugares. “A gente agradece a parceria. É bom quando a biblioteca também ultrapassa as quatro paredes, né? Essas ações são importantes”, destacou.

Para fazer o cadastro, basta levar o RG e um comprovante de endereço.

A Biblioteca Municipal Prof.ª Zulmar Zuleika Turcatto Maraccini funciona de segunda a sexta-feira, das 9 às 16 horas (exceto feriados e pontos facultativos), no Espaço Cidadania Vereador José de Carvalho. O endereço é Avenida Ipiranga, 151 — Centro.

Ler faz bem!

O Balaio de Leituras foi contemplado no programa Difusão Cult SP 2026, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, em parceria com a Associação Paulista dos Amigos da Arte (APAA). Na cidade, a realização ocorre por meio da Unidade Gestora Municipal de Esporte, Lazer, Cultura e Turismo, em parceria com a Biblioteca Municipal Prof.ª Zulmar Zuleika Turcatto Maraccini, a Unidade Gestora Municipal de Desenvolvimento Social e o Centro de Convivência da Pessoa Idosa (CCPI) Lydia Mojola Gut.

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Fim de patente do Ozempic gera batalha de lobbies no Congresso

A proximidade do fim da patente do Ozempic no Brasil reacendeu uma disputa entre grandes farmacêuticas e levou o tema ao Congresso Nacional. A norueguesa Novo Nordisk, fabricante do medicamento, defende a aprovação de um projeto de lei que pode estender por até cinco anos seus direitos de exclusividade. Em sentido oposto, indústrias farmacêuticas nacionais articulam para barrar a proposta e viabilizar a produção de versões genéricas.

A patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, vence em março. Somente em 2024, os dois medicamentos renderam à Novo Nordisk uma receita líquida global de US$ 28 bilhões. A empresa argumenta que atrasos do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) na análise do pedido de patente justificariam a prorrogação do prazo.

Segundo a farmacêutica, o processo ficou paralisado por quase oito anos. O pedido foi protocolado em março de 2006, mas a concessão ocorreu apenas em 2019. A tentativa de estender a validade da patente pela via judicial foi barrada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em novembro do ano passado, mantendo o vencimento original e abrindo espaço para a entrada de concorrentes no mercado.

Após a decisão, a estratégia passou a ser legislativa. O principal instrumento é o projeto de lei 5810/2025, que prevê a prorrogação de patentes quando houver atraso comprovado na análise, desde que a responsabilidade não seja do titular. A proposta é de autoria do deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM) e conta com apoio de líderes partidários, que já apresentaram pedido de urgência para acelerar a tramitação.

Fabricantes nacionais veem risco direto ao acesso da população a medicamentos mais baratos. De acordo com o Grupo FarmaBrasil, a extensão da exclusividade impediria a entrada de genéricos, elevando custos para consumidores e pressionando ainda mais o orçamento do Sistema Único de Saúde (SUS). Empresas como a EMS já demonstraram interesse em lançar versões do medicamento após o fim da patente.

O Inpi sustenta que a legislação brasileira garante proteção desde o depósito do pedido e afirma que a prorrogação não encontra respaldo jurídico, citando decisões favoráveis do STF e do STJ. Já a Novo Nordisk defende que apenas a concessão da patente assegura proteção efetiva e que a indenização prevista em lei não compensa totalmente os prejuízos causados por atrasos do Estado.

A discussão segue em ritmo acelerado no Congresso e deve influenciar não apenas o futuro do Ozempic, mas também de outros medicamentos de alto custo com patentes próximas do vencimento.

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