A equipe econômica ligada ao pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) avalia como viável um ajuste fiscal inicial equivalente a 2 pontos percentuais do PIB, caso ele seja eleito. O valor representa metade do necessário, segundo especialistas, para estabilizar a dívida pública, mas poderia sinalizar ao mercado compromisso com o equilíbrio das contas e reduzir a pressão por juros altos.
O plano considera três medidas principais: desvincular os gastos mínimos de saúde (15% da receita corrente líquida) e educação (18% da receita de impostos), além de separar o reajuste real do salário mínimo dos benefícios da Previdência e do BPC. Na prática, essas despesas passariam a ser corrigidas apenas pela inflação.
As mudanças exigiriam Propostas de Emenda à Constituição (PECs), com aprovação de 3/5 do Congresso. A estratégia parte da expectativa de fortalecimento da direita nas eleições. A equipe também evita divulgar detalhes do plano para não gerar desgaste político, especialmente em um cenário de empate técnico com o presidente Lula.
Estudos indicam que a desvinculação do salário mínimo dos benefícios poderia gerar economia de até R$ 1,1 trilhão em dez anos. Já mudanças em saúde e educação poderiam economizar cerca de R$ 800 bilhões no mesmo período.
O contexto fiscal é de pressão crescente: déficits primários persistentes, aumento orgânico das despesas e envelhecimento da população elevam os gastos com Previdência. Sem mudanças, projeções apontam que o déficit pode chegar a 3% do PIB em dez anos, enquanto a dívida pública pode atingir 86% do PIB até 2027, ampliando a desconfiança de investidores e pressionando ainda mais os juros.