A Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ) abriu inscrições para uma pesquisa inédita que busca entender por que crianças, jovens e adultos sentem incômodo, cansaço, dor ou dificuldade ao ler — ou antes mesmo de iniciar a leitura. A participação é aberta a pessoas com ou sem sintomas e pode contribuir para novas formas de diagnóstico e tratamento de problemas visuais pouco compreendidos.
O estudo integra o projeto “Análise do Olhar Humano”, coordenado pelo pesquisador Rafael Nobre Orsi, e utiliza tecnologia de rastreamento ocular (eye tracking) para analisar o comportamento dos olhos diante de palavras, imagens e outros estímulos. O objetivo é tornar mais preciso o diagnóstico de dificuldades visuais que afetam o desempenho escolar e a aprendizagem, especialmente condições relacionadas ao estresse visual, como a Síndrome de Irlen — tema que ganhou relevância em Jundiaí após a campanha municipal de conscientização criada em 2019.
A Síndrome de Irlen está ligada à sensibilidade à luz e pode causar dor ao ler, desconforto com o brilho do papel branco, dores de cabeça, náuseas, dificuldade de concentração e problemas para acompanhar linhas ou letras. Como exames oftalmológicos tradicionais não detectam a condição, muitos casos passam despercebidos, gerando confusão com outras dificuldades visuais ou cognitivas.
A técnica de eye tracking, não invasiva e segura, permite avaliar inclusive pessoas que ainda não sabem ler, contribuindo para identificar causas de dificuldades desde a infância. A pesquisa terá 360 participantes, divididos entre grupos controle e grupo alvo, em parceria com a FEI e o Centro Paula Souza.
Podem participar pessoas com sintomas, sem sintomas ou em processo de alfabetização que apresentem sinais de desconforto visual. Os atendimentos ocorrerão na Unidade 01 da FMJ, na Rua Francisco Telles, 250. Agendamentos podem ser feitos de segunda a sexta, das 8h às 17h, pelo telefone (11) 3395-2157 ou pelo e-mail nit@fmj.br.