A deputada federal Maria Gorete Pereira passou a ser monitorada por tornozeleira eletrônica após ser alvo de uma operação da Polícia Federal nesta terça-feira (17). A ação investiga descontos ilegais em aposentadorias feitos pela Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (Aapen), sediada em Fortaleza.
Segundo a investigação, o esquema envolvia cobranças mensais diretamente nos benefícios de aposentados, gerando milhões de reais. A decisão que autorizou a operação é do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
De acordo com a Polícia Federal, Gorete Pereira teria atuado como articuladora política junto a órgãos públicos, utilizando sua influência para facilitar acordos com o INSS e pressionar servidores. Em troca, segundo a apuração, ela teria recebido valores por meio de terceiros e empresas de fachada. A defesa da parlamentar nega irregularidades.
O caso ganhou repercussão após a revelação de que a presidente formal da Aapen, Francisca da Silva de Souza, de 72 anos, teria sido usada como “laranja”. Analfabeta e pensionista, ela afirmou à Justiça que foi enganada e incluída na entidade sem saber. A idosa chegou a responder a mais de 200 processos judiciais por cobranças indevidas.
Segundo a Defensoria Pública do Estado do Ceará, Francisca foi induzida a assinar documentos sob a promessa de conseguir um empréstimo, sem saber que se tornaria presidente da associação.
A operação também resultou na prisão preventiva da advogada Cecília Rodrigues da Mota, ex-presidente da entidade, e teve como alvo o empresário Natjo de Lima Pinheiro. Segundo a PF, eles controlavam diversas associações usadas no esquema.
Após o início das investigações, a Aapen encerrou suas atividades e fechou sua sede. O fechamento dificultou o andamento de ações judiciais movidas por aposentados que buscam ressarcimento pelos descontos ilegais.