Ministros do Supremo Tribunal Federal avaliam que o senador Alessandro Vieira utilizou a CPI do Crime Organizado com finalidade eleitoral ao incluir ataques à Corte em seu relatório final, extrapolando o objeto da comissão.
O ministro Gilmar Mendes anunciou que irá acionar a Procuradoria-Geral da República para investigar Vieira por possível abuso de autoridade. No documento, o senador pediu o indiciamento de Mendes e dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli por supostas ligações com o caso Banco Master — आरोपações negadas pelos magistrados. O relatório não trouxe menções a lideranças de facções criminosas ou milícias.
A CPI rejeitou o parecer por 6 votos a 4. Segundo informações de bastidores, houve articulação envolvendo o STF, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para barrar o texto.
Gilmar Mendes afirmou que o caso pode configurar “desvio de finalidade” e crime previsto na Lei de Abuso de Autoridade, defendendo apuração rigorosa. Como o procurador-geral Paulo Gonet também foi citado no relatório, a análise do pedido pode ser conduzida por um substituto.
Durante sessão da Segunda Turma, Toffoli declarou que a conduta de Vieira pode ter implicações eleitorais, incluindo eventual inelegibilidade por abuso de poder. Já o presidente do STF, Edson Fachin, divulgou nota em apoio aos colegas, afirmando que desvios em CPIs fragilizam a democracia.
Após a rejeição, Vieira afirmou que o indiciamento de autoridades foi o principal ponto de divergência e criticou mudanças na composição da comissão, classificando-as como estratégias regimentais que influenciaram o resultado.