Considerado uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo, o glaucoma exige atenção justamente por muitas vezes evoluir sem apresentar sinais claros. A ausência de sintomas pode fazer com que o diagnóstico ocorra apenas quando a doença já provocou danos significativos ao nervo óptico.
Segundo a oftalmologista Carolina Rottili Daguano, do Hospital Oftalmos, o glaucoma é uma neuropatia óptica relacionada, em muitos casos, ao aumento da pressão dentro dos olhos. Entretanto, a doença também pode surgir mesmo quando a pressão intraocular está dentro dos valores considerados normais.
Nas fases iniciais, o paciente geralmente não percebe alterações. Com a progressão, pode ocorrer perda da visão periférica, dificultando atividades como dirigir, caminhar e utilizar escadas. Em quadros avançados, a visão central também pode ser comprometida, prejudicando tarefas como ler, assistir à televisão e utilizar o computador. Sem tratamento adequado, o quadro pode evoluir para cegueira permanente.
Existem diferentes tipos de glaucoma. O mais frequente é o glaucoma primário de ângulo aberto. Já o glaucoma de ângulo fechado pode apresentar evolução mais rápida e manifestações agudas. Também existem formas secundárias, relacionadas a traumas, inflamações, cirurgias e outras doenças oculares, além dos tipos infantil, juvenil e congênito.
O diagnóstico depende de uma avaliação oftalmológica completa. Entre os exames que podem ser solicitados estão a gonioscopia, campimetria, retinografia e tomografia de coerência óptica. A identificação precoce é fundamental para evitar a progressão dos danos.
O tratamento busca controlar a pressão intraocular e preservar a visão. Dependendo do caso, podem ser utilizados colírios, procedimentos a laser ou cirurgia.
A idade é um dos principais fatores de risco. Histórico familiar de glaucoma, miopia ou hipermetropia, diabetes, uso de corticoides e histórico de trauma ou cirurgia ocular também aumentam as chances de desenvolver a doença.
Especialistas recomendam que pessoas a partir dos 40 anos mantenham acompanhamento oftalmológico regular, mesmo sem sintomas. O acompanhamento permite avaliar o nervo óptico e identificar alterações antes que ocorram perdas visuais permanentes.