O Brasil registrou um novo recorde de estelionatos em 2025, com 2.261.055 ocorrências, segundo a 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O número representa cerca de 258 golpes por hora e um crescimento de 429% em relação a 2018, quando foram contabilizados 426 mil casos. Na comparação com 2024, o aumento foi de 3,1%.
Os registros incluem fraudes presenciais, como o golpe da maquininha, e crimes praticados pela internet, modalidade que segue em expansão. Apenas em 2025, foram 346,7 mil boletins relacionados a fraudes eletrônicas, embora São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará não tenham informado esses dados específicos.
Enquanto os estelionatos avançam, os roubos continuam em queda. No último ano, houve redução de 20,6% nos roubos de veículos, 19,9% em residências, 18,3% em estabelecimentos comerciais e 23,4% contra pedestres.
São Paulo lidera o ranking nacional de estelionatos, com 833 mil registros e taxa de 1.808 casos por 100 mil habitantes. Distrito Federal e Paraná aparecem na sequência.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública alerta que o problema pode ser ainda maior devido à subnotificação. Pesquisa Datafolha aponta que cerca de 26,3 milhões de brasileiros afirmaram ter perdido dinheiro em golpes pela internet nos 12 meses anteriores ao levantamento.
Apesar do alto número de ocorrências, a responsabilização dos criminosos ainda é limitada. Em 2025, apenas 63,7 mil ações penais foram propostas pelos Ministérios Públicos estaduais, enquanto somente 4.189 pessoas passaram pelo sistema prisional por estelionato.
Neste ano, uma nova lei alterou as regras para facilitar a punição dos criminosos. Agora, o Ministério Público pode iniciar ações penais por estelionato sem depender da representação da vítima. A legislação também endureceu as penas para quem empresta contas bancárias destinadas à movimentação de dinheiro obtido por fraudes e golpes eletrônicos.