A rede varejista Fast Shop foi condenada pelo governo de São Paulo a pagar R$ 1,04 bilhão por corrupção, fraude tributária e obtenção irregular de créditos de ICMS, no maior valor já aplicado no país com base na Lei Anticorrupção. A decisão foi publicada no Diário Oficial e também obriga a empresa a divulgar a condenação em jornal, no site e em sua sede por 45 dias.
Segundo a investigação da Controladoria-Geral do Estado de São Paulo, a empresa pagou propinas para obter informações fiscais privilegiadas e acelerar a liberação de créditos tributários superiores aos devidos. O prejuízo total aos cofres públicos ainda será calculado pela Secretaria da Fazenda paulista.
O caso faz parte da Operação Ícaro, deflagrada em agosto de 2025 pelo Ministério Público para investigar corrupção envolvendo auditores fiscais e grandes varejistas. As apurações indicam que servidores da Fazenda recebiam propina para liberar ressarcimentos milionários de ICMS.
Os sócios da Fast Shop, Milton Kazuyuki Kakumoto e Júlio Atsushi Kakumoto, além do diretor Mario Otávio Gomes, admitiram participação no esquema em acordos com o Ministério Público e se comprometeram a devolver R$ 100 milhões.
De acordo com depoimentos, entre 2021 e 2025 a empresa recebeu mais de R$ 1,5 bilhão em ressarcimentos de ICMS, dos quais R$ 1,04 bilhão teriam sido inflados irregularmente pelo auditor fiscal Artur Silva Neto. Apenas R$ 553 milhões seriam créditos legítimos.
A operação também levou à prisão temporária do empresário Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, acusado de corrupção. A Secretaria da Fazenda de São Paulo já demitiu cinco auditores fiscais e mantém dezenas de processos administrativos em andamento para apurar novas irregularidades.