Governo Lula articula crédito de até R$ 7 bi para limitar aumento na conta de luz em ano eleitoral

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva articula um empréstimo entre R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões para distribuidoras de energia com o objetivo de conter o aumento das contas de luz em ano eleitoral. A medida, ainda em discussão, busca evitar impactos negativos na popularidade do governo diante do avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas.

A estratégia já foi adotada em anos eleitorais anteriores por Jair Bolsonaro, em 2022, e Dilma Rousseff, em 2014. Especialistas, porém, alertam que o mecanismo apenas adia o problema, podendo resultar em tarifas mais altas no futuro para compensar o financiamento.

A Agência Nacional de Energia Elétrica projeta aumento médio de cerca de 8% nas tarifas em 2026, acima da inflação. Para amenizar esse impacto, o governo estuda uma medida provisória que permita viabilizar o crédito, que seria concedido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, com juros atrelados à Selic, atualmente em 14,75% ao ano.

A proposta prevê limitar os reajustes ao nível da inflação (IPCA), com o excedente sendo coberto pelo empréstimo. O foco principal são distribuidoras das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde já há aumentos expressivos. Já consumidores do Norte e Nordeste podem ter reajustes próximos de zero, com apoio de recursos da Conta de Desenvolvimento Energético.

Além do empréstimo, o governo pretende usar o bônus de Usina Hidrelétrica de Itaipu para reduzir tarifas, medida que também depende de mudanças legais. Outra frente em estudo é a revisão das bandeiras tarifárias.

Apesar das críticas de técnicos, que veem a medida como uma solução temporária, o governo considera o custo da energia uma prioridade, junto com combustíveis, endividamento das famílias e a fila do INSS, e prepara ações para minimizar impactos econômicos e eleitorais.

 
 
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