Governo Lula critica nova ameaça de tarifa dos EUA e cita reciprocidade

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como protecionista e unilateral a nova ameaça de tarifas sobre produtos brasileiros anunciada pelos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump. Em nota divulgada nesta quarta-feira (3), o governo brasileiro afirmou esperar que a medida não seja implementada e ressaltou que poderá recorrer à Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional, para responder a eventuais prejuízos causados ao país.

A proposta americana prevê uma tarifa de 12,5% para produtos de diversos países, incluindo o Brasil. A iniciativa surgiu após uma investigação comercial que avaliou supostas ocorrências de trabalho forçado em 59 países e na União Europeia. Esta foi a segunda ameaça tarifária apresentada pelos EUA na mesma semana. Dias antes, o governo americano já havia anunciado a possibilidade de impor uma taxa de 25% sobre produtos brasileiros, alegando práticas comerciais consideradas injustas.

Na nota oficial, o governo brasileiro criticou o uso da pauta trabalhista como justificativa para medidas comerciais. Segundo o texto, é lamentável que a defesa de condições dignas de trabalho seja utilizada para sustentar ações protecionistas. O governo também considerou absurda a associação entre a competitividade da economia brasileira e possíveis violações de direitos humanos, destacando que o Brasil é reconhecido pela Organização Internacional do Trabalho como referência no combate ao trabalho forçado.

A disputa comercial também ganhou dimensão política. O governo Lula relacionou a investigação americana à atuação de integrantes da família Bolsonaro junto a autoridades dos Estados Unidos. A nota menciona que o processo teve início em julho de 2025 após provocação da família do ex-presidente Jair Bolsonaro e cita a recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington.

Nos últimos meses, Lula tem buscado explorar politicamente a proximidade entre os Bolsonaro e Trump, argumentando que essa relação prejudica os interesses nacionais. Segundo relatos, o presidente orientou seus auxiliares a reforçar essa narrativa.

O cenário ocorre em meio à disputa eleitoral de 2026. De acordo com pesquisa Datafolha, Lula aparece numericamente à frente de Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno, com 47% das intenções de voto contra 43%, resultado que configura empate técnico dentro da margem de erro.

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