A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano colocou as próximas medidas do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no centro das atenções do mercado financeiro. Para economistas, os rumos da Selic dependerão principalmente dos sinais que o Executivo apresentar sobre a condução da economia.
A manutenção dos juros, anunciada nesta quarta-feira (4), já era esperada por investidores, diante da valorização do dólar e da piora nas expectativas de inflação após o resultado do segundo turno das eleições. Uma possível retomada dos cortes em dezembro dependerá, entre outros fatores, das decisões econômicas que serão anunciadas pelo governo.
O Banco Central justificou a pausa no ciclo de redução dos juros com a instabilidade do cenário internacional, especialmente a continuidade dos conflitos no Oriente Médio, além das pressões inflacionárias no mercado interno. As projeções do Boletim Focus indicam inflação de 5,2% em 2026 e 4,8% em 2027, acima do limite de 4,5% da meta estabelecida.
Entre os especialistas, há avaliações diferentes sobre a decisão. Parte dos economistas considera que o Banco Central poderia ter mantido os cortes, argumentando que a economia apresenta sinais de desaceleração e que parte da pressão inflacionária está relacionada a fatores temporários.
Outros avaliam que a cautela foi necessária diante das incertezas econômicas e da volatilidade cambial. Para esses analistas, o Banco Central deve preservar a liberdade para decidir os próximos passos sem antecipar compromissos sobre possíveis reduções.
Economistas também defendem que o governo apresente rapidamente seus planos para a política fiscal e econômica, tanto no curto quanto no longo prazo. A avaliação é que medidas claras e consideradas confiáveis poderiam melhorar as expectativas do mercado e abrir espaço para novos cortes na taxa básica.
Representantes dos setores produtivo e comercial, por outro lado, criticaram a manutenção dos juros em patamar elevado. Eles apontam que o custo do crédito prejudica empresas, investimentos, consumo das famílias e a atividade econômica.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, classificou a decisão como um aperto monetário excessivo e defendeu mudanças nas políticas fiscal e monetária para reduzir os juros e estimular a competitividade da economia.