As tarifas adotadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros continuam provocando impactos em diversos segmentos da indústria nacional, que agora buscam alternativas para reduzir a dependência do mercado norte-americano. Enquanto parte das empresas contabiliza prejuízos, outras ampliam negócios em países da América Latina, Ásia e Europa para compensar as perdas.
Entre os setores mais afetados estão os de aço, alumínio, couro, calçados, móveis, têxtil, tabaco, madeira e máquinas. As medidas começaram em 2025 com a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros e foram ampliadas ao longo do tempo, elevando os custos para exportação e reduzindo a competitividade das empresas nacionais.
O setor siderúrgico está entre os mais preocupados. Representantes da indústria afirmam que uma nova rodada de tarifas pode comprometer a operação de diversas fábricas de ferro-gusa, matéria-prima utilizada na produção de aço. O Brasil segue como um dos principais fornecedores de aço para os Estados Unidos, mas as exportações vêm registrando queda nos últimos anos.
Na indústria de máquinas e equipamentos, embora as vendas para os EUA tenham diminuído, empresas conseguiram ampliar exportações para mercados como Argentina, Singapura, Peru e Chile. Ainda assim, o setor destaca que contratos internacionais exigem longos períodos de negociação, dificultando a substituição rápida do mercado norte-americano.
Fabricantes de couro e calçados também enfrentam dificuldades. Enquanto as vendas para os Estados Unidos recuaram, houve crescimento das exportações para países como Coreia do Sul, México, Espanha e nações da América Latina. Apesar disso, representantes do setor afirmam que muitos produtos são desenvolvidos especificamente para atender consumidores americanos, tornando difícil redirecionar a produção.
A indústria moveleira segue cenário semelhante. Embora empresas tenham conquistado espaço em mercados como Uruguai, Argentina, Peru, Paraguai e Colômbia, o mercado dos EUA continua sendo considerado estratégico e responsável por uma parcela significativa das exportações brasileiras.
No setor têxtil, o desempenho também foi afetado. As exportações para os Estados Unidos perderam força, enquanto países vizinhos, como Paraguai, Uruguai e Equador, aumentaram as compras de produtos brasileiros.
Já a indústria madeireira demonstra maior preocupação, pois metade das exportações de molduras de madeira tem como destino os Estados Unidos. Empresários do segmento afirmam que a dificuldade para encontrar novos compradores pode resultar novamente em redução da produção, férias coletivas, demissões e adiamento de investimentos.
Apesar dos esforços para diversificar os destinos das exportações, entidades do setor ressaltam que a abertura de novos mercados não substitui, no curto prazo, a importância do mercado americano para a indústria brasileira.