Um estudo publicado no Jama identificou que mulheres que interrompem o uso de semaglutida ou liraglutida — presentes em medicamentos como Ozempic, Wegovy e Saxenda — logo antes ou nas primeiras semanas de gravidez apresentam maior ganho de peso e maior risco de complicações gestacionais. As gestantes que descontinuaram o tratamento tiveram ganho médio de 13,7 kg, aproximadamente 3 kg acima das que não utilizavam os remédios. A interrupção também foi associada ao aumento do risco de parto prematuro, diabetes gestacional e hipertensão, embora não tenha havido diferença significativa no tamanho dos bebês por idade gestacional.
O levantamento analisou milhares de registros médicos da rede Mass General Brigham, nos EUA, entre 2016 e 2025, ajustando os resultados por idade, condições de saúde prévias e etnia. Entre 448 gestantes que usavam as drogas antes da gravidez, o risco de excesso de peso gestacional foi 32% maior. Em outra análise, o percentil médio de tamanho dos bebês foi 3,6% maior no grupo exposto. Já o risco de parto prematuro foi 34% maior, o de diabetes gestacional, 30%, e o de hipertensão, 29%.
As autoras destacam que ainda há poucos dados sobre os efeitos dessas substâncias na gestação, embora estudos com animais indiquem possíveis riscos ao feto. A recomendação médica segue sendo suspender o uso antes da gravidez.
Um segundo estudo, também no Jama, mostrou aumento expressivo das prescrições de semaglutida para mulheres no pós-parto na Dinamarca, especialmente a partir de 2023, quando a droga Wegovy passou a representar 89% das receitas. Pesquisadores alertam para o uso crescente dos medicamentos sem indicação prévia de diabetes ou obesidade e ressaltam a falta de orientações claras sobre o uso dessas drogas no período pré ou pós-gestacional.