Investigação da Receita vê indícios de que servidor entregou dados sigilosos a terceiros

A Receita Federal do Brasil identificou indícios de que um servidor do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), cedido ao Fisco e lotado no Rio de Janeiro, teria acessado de forma irregular dados fiscais de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus familiares. Segundo a apuração inicial, ele teria consultado informações protegidas e repassado o material a terceiros. O nome do suspeito e dos possíveis destinatários dos dados não foi divulgado.

O caso ocorre após o escândalo envolvendo o banco Master, liquidado pelo Banco Central do Brasil, que já resultou em operações da Polícia Federal em vários estados. O servidor já era investigado anteriormente pela corregedoria da Receita e pela PF por suspeita de vazamento de dados. A identificação de que ele aparece em dois casos levou à aceleração de uma operação com quatro mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

A Receita rastreou acessos indevidos, incluindo tempo de visualização, possíveis downloads ou impressões, além de analisar procurações usadas para entrar no sistema. Um robô auxiliou no levantamento, que envolveu mais de 100 pessoas, entre ministros e parentes (pais, mães, cônjuges e filhos).

Parte do relatório foi enviada ao ministro Alexandre de Moraes, que havia solicitado as informações e autorizou a operação. Ele foi informado de que houve acesso à declaração de sua esposa. Outros ministros também foram comunicados sobre consultas irregulares a dados de familiares.

O STF pediu auditoria em 12 de janeiro para verificar acessos suspeitos nos últimos três anos. Desde 2023, a Receita afirma ter reforçado controles de acesso, concluído sete processos disciplinares (com três demissões) e manter outros dez em andamento.

 
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