Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, negocia um acordo de delação premiada com a Polícia Federal e a PGR, mas enfrenta resistência das autoridades. Investigadores afirmam que ele teria causado prejuízos superiores a R$ 57 bilhões e exigem a devolução de cerca de R$ 60 bilhões em prazo curto. Vorcaro propôs devolver R$ 40 bilhões ao longo de dez anos, oferta considerada insuficiente e lenta pela PF, PGR e STF.
O ministro André Mendonça teria indicado que prefere um valor menor, desde que pago em menos tempo. As autoridades temem repetir problemas de acordos da Operação Lava Jato e da J&F, nos quais empresas depois contestaram pagamentos ou conseguiram reduzi-los judicialmente.
Outro ponto de preocupação é que o Banco Master foi liquidado, o que significa que Vorcaro não possui mais uma fonte estável de recursos para cumprir o acordo. Por isso, investigadores querem que ele detalhe onde estão seus bens e recursos, incluindo contas em paraísos fiscais, imóveis, aviões e obras de arte.
Os anexos da delação foram entregues em 6 de maio e ainda serão analisados. Porém, investigadores avaliam que os relatos apresentados até agora trazem poucos fatos novos e não avançam muito além do que a PF já descobriu na Operação Compliance Zero. Há pressão para que a colaboração apresente provas robustas e informações inéditas; caso contrário, a delação pode ser rejeitada.
A PF também avalia que consegue avançar nas investigações sem depender da colaboração de Vorcaro. Outros envolvidos, como Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro, também negociam acordos.
Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro do ano passado, ao tentar embarcar para o exterior em Guarulhos. Solto dias depois, voltou a ser preso em março durante nova fase da operação. Atualmente está detido na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal.
Com a mudança de estratégia jurídica, Vorcaro precisará confessar crimes, detalhar as fraudes investigadas e apresentar provas que sustentem suas declarações para tentar validar o acordo no STF.