O Itamaraty classificou como quebra das práticas diplomáticas a decisão dos Estados Unidos de expulsar o delegado da Polícia Federal, Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava como oficial de ligação junto ao ICE, em Miami. A medida, segundo o governo brasileiro, contraria o histórico de cooperação entre os dois países ao longo de mais de dois séculos.
O agente retornou ao Brasil na noite de terça-feira (21), após ter o acesso negado aos sistemas americanos. A decisão ocorreu dias depois da prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, realizada com base em cooperação entre autoridades brasileiras e norte-americanas. Ramagem, que estava com visto vencido, chegou a solicitar asilo e foi liberado dois dias após a detenção.
Após a soltura, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, como Eduardo Bolsonaro e o empresário Paulo Figueiredo, criticaram a atuação do governo brasileiro e indicaram possíveis reações em Washington.
Diante do episódio, representantes brasileiros se reuniram com Kim Kelly, encarregada de negócios interina da embaixada dos EUA, após comunicação oficial sobre a interrupção imediata das funções do policial brasileiro em território norte-americano.
Em resposta, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou que adotará o princípio da reciprocidade, suspendendo as atividades de um representante americano em função equivalente no Brasil. A medida também inclui a restrição de acesso a sistemas da Polícia Federal.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que a decisão foi tomada até que haja esclarecimentos formais por parte dos Estados Unidos. Segundo ele, não houve comunicação oficial prévia sobre o caso.
Rodrigues também contestou as alegações do governo norte-americano, que sugeriu possível atuação irregular do agente brasileiro no sistema migratório, classificando a justificativa como infundada.