A investigação da Polícia Federal sobre a Operação Narco Fluxo identificou um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro ligado a apostas e rifas ilegais, que teria movimentado cerca de R$ 1,6 bilhão. A decisão do juiz Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5ª Vara Federal de Santos (SP), determinou a prisão preventiva de 36 investigados, com base em provas consideradas concretas de crimes como organização criminosa, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
Entre os presos estão os funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além de Raphael Sousa Oliveira. Segundo a PF, cerca de R$ 790 milhões teriam origem em depósitos suspeitos, incluindo valores de vítimas de rifas ilegais e repasses ligados a facções criminosas.
As investigações apontam que o grupo utilizava empresas de fachada e intermediadoras financeiras para ocultar a origem do dinheiro. A empresa Golden Cat aparece como peça central, responsável por cerca de 75% das movimentações financeiras rastreadas. Já a YCFShop Tecnologia em Ecommerce é apontada como responsável pelo envio de recursos ao exterior, com uso de contas em nome de laranjas.
Um dos nomes citados é Jiawei Lin, considerado pela PF como elo na remessa de valores para operadores na Ásia. Os envios eram feitos em valores fracionados para evitar alertas de fiscalização. Outro investigado, Alexandre Paula de Sousa Santos, conhecido como Belga, teria recebido R$ 2,9 milhões em dois meses.
Apesar de o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ter concedido habeas corpus aos investigados, o juiz manteve as prisões ao converter as detenções em preventivas, alegando novos elementos no processo. A defesa dos envolvidos nega irregularidades e afirma que irá comprovar a legalidade das movimentações financeiras.