Justiça bloqueia R$ 670 mi do Digimais, banco do bispo Edir Macedo, alvo de operação da PF

A Polícia Federal realizou, em 23 de junho, a Operação Miragem, cumprindo nove mandados de busca e apreensão para investigar supostas fraudes no Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo. A Justiça Federal autorizou o bloqueio de até R$ 670 milhões em bens e a quebra de sigilos bancário e fiscal dos investigados.

Segundo a PF, o banco teria manipulado demonstrações contábeis e registros financeiros para ocultar sua real situação patrimonial e aparentar solidez perante órgãos reguladores. Os investigadores apuram crimes como gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em balanços e realização de operações de crédito proibidas.

Um dos principais pontos da investigação envolve um fundo de investimento cujo valor declarado pelo Digimais era de R$ 741,3 milhões, enquanto o Banco Central teria estimado seu valor real em cerca de R$ 71 milhões. Após determinação do BC para corrigir o valor do ativo, o banco teria registrado um empréstimo de R$ 741,3 milhões junto à controladora BA Participações, sem ingresso efetivo dos recursos no caixa.

A PF também aponta reavaliações sucessivas de direitos creditórios ligados ao mesmo processo judicial para inflar ativos e gerar receitas contábeis fictícias, incluindo cerca de R$ 199 milhões em resultados. O bloqueio judicial corresponde à diferença entre o valor de aquisição do fundo e o valor declarado pelo banco.

O Digimais registrou prejuízo de R$ 108,4 milhões no primeiro trimestre de 2026, possuía R$ 10 bilhões em ativos e R$ 8,5 bilhões em depósitos a prazo. A instituição já enfrentava dificuldades financeiras, tentativas de venda e questionamentos sobre a elevada remuneração de seus CDBs.

A situação se agravou após a agência de risco Fitch Ratings retirar sua avaliação do banco, citando falta de informações atualizadas e incertezas sobre sua situação. Auditorias também apontaram investimentos bilionários em fundos sem demonstrações financeiras auditadas e valorizações consideradas atípicas.

Entre os alvos da operação estão diretores e conselheiros do Digimais, além de executivos da ID Serviços Financeiros, acusada de participar da superavaliação de ativos. Tanto o Digimais quanto a ID afirmaram colaborar com as autoridades e defenderam a regularidade de suas operações.

O futuro do banco, que negocia uma possível venda ao BTG Pactual, dependerá dos desdobramentos das investigações e de decisões do Banco Central.

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