A Justiça italiana publicou nesta quinta-feira (16) uma segunda decisão favorável à extradição da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) para o Brasil. Desta vez, o julgamento trata exclusivamente do episódio em que ela perseguiu um homem armada, em São Paulo, em 2022.
O caso foi analisado separadamente do processo anterior, que já havia autorizado a extradição pela invasão ao sistema do CNJ e a emissão de um mandado falso contra o ministro Alexandre de Moraes. Apesar de terem sido discutidos conjuntamente em audiência, os juízes optaram por decisões distintas. Zambelli já soma condenações que ultrapassam 15 anos de prisão nos dois processos.
Na nova sentença, a Corte de Apelação de Roma rejeitou novamente os argumentos da defesa, que alegava perseguição política e falta de imparcialidade do STF, além de questionar as condições do sistema prisional brasileiro. Os magistrados consideraram as alegações “infundadas” e afirmaram não haver provas concretas de prejuízo ou irregularidades no julgamento no Brasil.
A tentativa da defesa de classificar o episódio como crime político — o que impediria a extradição — também foi negada. Para a corte, a conduta de Zambelli configura crime comum, por atingir a segurança pública e a integridade individual, sem relação direta com atividade política.
A defesa ainda pode recorrer à Corte de Cassação, última instância da Justiça italiana, no prazo de 15 dias. Após a decisão final, caberá ao governo italiano, por meio do Ministério da Justiça, dar a palavra definitiva sobre a extradição.