O Ligue 180, canal federal de atendimento e orientação para mulheres em situação de violência, registrou 1.035.647 atendimentos entre janeiro e julho de 2026. O número representa alta de 90,8% em relação aos 542.737 registros feitos no mesmo período de 2025.
O crescimento foi impulsionado principalmente pelos pedidos de informação, que passaram de 361.475 para 872.257, aumento de 141,3%. Segundo o Ministério das Mulheres, os dados não significam necessariamente que a violência contra as mulheres tenha crescido na mesma proporção. A alta pode indicar maior conhecimento e confiança no serviço, além de uma redução do silêncio por parte das vítimas.
O volume registrado até julho já corresponde a 95% de todos os atendimentos realizados pelo canal durante 2025. Como uma mesma ligação pode gerar mais de um protocolo, os números não representam necessariamente a quantidade de pessoas atendidas.
Entre os registros deste ano, foram contabilizadas 98.705 denúncias de violência de gênero, alta de 15% em relação às 85.811 denúncias registradas nos sete primeiros meses de 2025. Também foram realizadas 63.478 orientações sobre serviços da rede de proteção e 1.207 manifestações diversas.
A maior parte das solicitações buscou informações sobre como acessar a rede de proteção. Foram 462.919 registros, equivalentes a 44,7% dos atendimentos. Outros 200.989 pedidos trataram do funcionamento do próprio Ligue 180.
Entre as denúncias, a violência psicológica aparece em primeiro lugar, com 35.284 registros. Na sequência estão violência doméstica, violência física, violência moral e violência patrimonial.
São Paulo foi o estado com maior número de atendimentos até julho, com 106.552 registros, seguido por Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul.
Para o Ministério das Mulheres, os dados também ajudam a identificar dificuldades no acesso à rede de proteção e a necessidade de ampliar a articulação entre serviços de saúde, assistência social, educação e segurança pública.