O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que pretende encerrar a atuação das empresas de apostas esportivas no Brasil. A declaração foi feita nesta quarta-feira (23), durante um evento com representantes do setor cultural.
Segundo Lula, as plataformas de apostas estariam contribuindo para o comprometimento da renda das famílias e afetando principalmente torcedores de menor poder aquisitivo. O presidente também relacionou o tema ao uso de algoritmos por parte da população jovem.
Ao falar sobre o futebol, Lula afirmou que os clubes precisarão encontrar outras formas de financiamento caso as bets deixem de operar. Ele citou o modelo das Sociedades Anônimas de Futebol (SAFs) como uma possibilidade para que as equipes adotem uma estrutura empresarial.
“Vamos acabar com as bets”, declarou o presidente, acrescentando que os times deverão aprender a se sustentar sem os recursos das casas de apostas.
As apostas de quota fixa foram autorizadas anteriormente, mas passaram por regulamentação durante o atual governo. O mercado regulado começou a funcionar em 2025, após um período de transição, com empresas autorizadas mediante o pagamento de outorga de R$ 30 milhões.
Apesar da declaração de Lula, integrantes do governo avaliam que uma proibição completa enfrenta obstáculos jurídicos e econômicos. Entre as possibilidades analisadas estão medidas mais restritivas para a publicidade das apostas e, em uma ação mais ampla, a proibição das plataformas.
Também existe preocupação com possíveis disputas judiciais e eventuais pedidos de indenização das empresas que receberam autorização para atuar no país.
O governo ainda teria de enfrentar o desafio de impedir que plataformas continuem funcionando de forma ilegal. Outro ponto envolve os contratos de publicidade e patrocínio mantidos pelas bets com clubes, influenciadores e outras empresas.
Dados citados na reportagem apontam que, em 2025, as famílias brasileiras perderam cerca de R$ 62,5 bilhões com apostas, segundo estudo do Comsefaz em parceria com o Cicef.