O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta terça-feira (3) a construção de um diálogo entre trabalhadores e empresários nas discussões sobre o possível fim da escala 6×1. Durante a abertura da Conferência Nacional do Trabalho, em São Paulo, Lula afirmou que, no debate democrático, “não há dono da verdade” e que é preciso buscar equilíbrio entre os diferentes interesses envolvidos.
Segundo o presidente, qualquer mudança na jornada deve considerar as especificidades de cada setor. Ele exemplificou que não é possível equiparar a realidade de um pequeno comércio à de grandes redes varejistas. Para Lula, aprovar uma lei sem amplo debate poderia resultar em dificuldades de cumprimento. Por isso, defendeu habilidade política para contemplar a maioria dos interessados.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, também ressaltou a necessidade de equilíbrio. Ele reconheceu que a redução da jornada pode elevar custos para as empresas, mas argumentou que a medida pode melhorar o ambiente de trabalho e a qualidade de vida, desde que acompanhada de ganhos de produtividade.
Lula ainda criticou a recente reforma trabalhista da Argentina, que permite jornada diária de até 12 horas mediante compensações, afirmando que regras gerais precisam respeitar a realidade de cada categoria.
Durante o evento, o presidente da Confederação Nacional da Saúde, Breno Monteiro, foi vaiado ao alertar para impactos econômicos e operacionais da mudança, especialmente em setores que dependem de funcionamento contínuo, como a saúde. Ele destacou possíveis aumentos de custos e necessidade de ampliar quadros de funcionários.
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, rebateu críticas e afirmou que o Brasil, apesar de rico, ainda é extremamente desigual. Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, incentivou trabalhadores a participarem do debate sobre produtividade e criticou parte do empresariado por, segundo ele, não investir no potencial do país.