Beunos Aires – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarca, nesta quarta-feira (2/7), em Buenos Aires, capital da Argentina, para participar da Cúpula do Mercosul, que ocorre na quinta (3/7). Está é a primeira viagem do petista ao país vizinho desde que Javier Milei assumiu a Casa Rosada, em dezembro de 2023.
O Brasil assume a presidência do Mercosul nesta semana e irá coordenar o bloco econômico até dezembro deste ano. Um dos objetivos da presidência brasileira é concluir o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, que se arrasta por mais de 20 anos.
Javier Milei foi eleito no segundo turno das eleições da Argentina ao obter 55,9% dos votos, contra o seu adversário Sergio Massa, ministro da Economia do governo de Alberto Fernández. Durante a campanha presidencial, o político ultraliberal adotou um discurso contra Lula.
Em 2024, já na presidência, Milei chamou Lula de “corrupto” e de “comunista”. “Qual é o problema que o chamei de corrupto? Por acaso ele não foi preso por isso? E o que eu disse… comunista? Por acaso [Lula] não é comunista? Desde quando tem que pedir perdão por dizer a verdade? Ou estamos tão doentes de correção política que não se pode dizer nada para a esquerda ainda quando for verdade?”, disse o presidente argentino durante entrevista ao canal La Nación +.
Ainda no ano passado, Milei foi ao Rio de Janeiro para participar da reunião de Chefes de Estado do G20, que reúne as maiores economias do mundo. Durante o evento, os dois presidentes trocaram saudações cordiais, sem muito entusiasmo de ambos os lados.
A expectativa é de que Lula adote o mesmo comportamento do G20 durante a Cúpula do Mercosul, sem grandes declarações sobre as desavenças ideológicas entre os dois. No entanto, não é esperado que aconteça uma reunião bilateral entre Milei e Lula.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o petista terá pouco tempo em solo argentino, o que dificultaria uma reunião entre os dois presidentes. Apesar disso, a equipe que compõe a comitiva de Lula não descarta a possibilidade de uma visita do chefe do Palácio do Planalto a Cristina Kirchner.