O Tribunal do Júri de Belo Horizonte absolveu uma mulher de 43 anos que respondia pela morte de um homem apontado como suspeito de abuso contra sua filha de 11 anos. A decisão foi tomada por maioria de votos, com expedição do alvará de soltura.
A ré, Erica Pereira da Silveira Vicente, era acusada de homicídio qualificado, ocultação de cadáver e corrupção de menor. O caso ocorreu na madrugada de 11 de março de 2025, no bairro Taquaril, na capital mineira.
Segundo o Ministério Público de Minas Gerais, o crime teria sido cometido com uso de meio cruel e com recurso que dificultou a defesa da vítima. A acusação apontou ainda que, após o ocorrido, o corpo foi levado até uma área de mata e incendiado com a ajuda de um adolescente. A vítima, Everton Amaro da Silva, de 47 anos, foi encontrada parcialmente carbonizada.
Durante o julgamento, a acusada apresentou outra versão. Ela afirmou que conhecia o homem desde a infância e que mantinham um relacionamento esporádico. Relatou ainda que, semanas antes do caso, encontrou mensagens de cunho inadequado enviadas por ele à filha.
Na noite dos fatos, segundo o depoimento, o homem teria chegado embriagado à residência. Durante a madrugada, a mulher afirmou ter sido alertada pelos gritos da filha e encontrado o suspeito em situação de abuso. Diante disso, disse que reagiu para proteger a criança.
Após o ocorrido, conforme relato, um adolescente entrou na residência ao ouvir barulhos. Os dois teriam levado o corpo até uma área de mata, onde ele foi incendiado.
A defesa sustentou a tese de legítima defesa de terceiro, argumentando que a mulher agiu para impedir a violência contra a filha. Os jurados acolheram a tese e decidiram pela absolvição.
A mulher estava presa desde a época dos fatos e foi liberada após a decisão judicial.