Maio Laranja: Prefeitura de Várzea Paulista traz juiz André de Queiróz e reforça importância do acolhimento e escuta correta de crianças e adolescentes

Evento da Prefeitura de Várzea Paulista reuniu diversos profissionais da rede municipal de proteção à criança e adolescente e abordou estratégias para romper ciclos de violência contra a criança e adolescente

A Prefeitura de Várzea Paulista, por meio da Unidade Gestora Municipal de Desenvolvimento Social, realizou, nesta quinta-feira (21), um encontro do Maio Laranja — mobilização nacional de conscientização e enfrentamento ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes —, com a presença de profissionais da rede municipal de proteção à criança e adolescente, formada por órgãos estatais e instituições como escolas particulares e entidades da sociedade civil. O juiz da 1ª Vara da Comarca de Jandira, Dr. André Luiz Tomasi de Queiróz, defendeu a importância de saber ouvir crianças e jovens, e deu dicas para romper o ciclo de violência. O evento foi realizado no Hotel Orquídea Express Inn.

Para o magistrado, muito experiente em julgar crimes, quebrar o ciclo de violência é perfeitamente possível e depende do comportamento da sociedade como um todo. Queiróz deu exemplos práticos e mostrou a necessidade do esforço contínuo para construir um laço de confiança sólido com filhos e crianças e adolescentes atendidos pelos trabalhadores, respeitando o momento que usam para desabafar. Quando ignoradas, as crianças passam a entender que falar, por exemplo, com os pais ou professores, seria “um incômodo”; por isso, muitas vezes não denunciam o crime.

Para o juiz, é necessário todo o cuidado para não provocar traumas com um ambiente familiar agressivo e marcado por brigas de casal, ou até mesmo por comparações descabidas entre irmãos — uma forma sutil, mas igualmente traumatizante de violência. Crianças e adolescentes tendem a replicar comportamentos violentos com maior facilidade (inclusive os de coleguinhas de escola, por exemplo), por ainda não terem filtros morais da idade adulta. “Se vocês mudarem o comportamento de vocês dentro de casa, vocês também farão que essas crianças e adolescentes sejam referências para outras crianças e adolescentes”, explicou.

Segundo Queiróz, as crianças costumam normalizar serem pegas no colo ou algo do gênero, muitas vezes por familiares sem nenhum tipo de malícia. Isso pode fazer com que acabem por confiar em criminosos que usam discursos amigáveis para enganar crianças e abusar delas, muitas vezes semelhantes às desses parentes. O juiz ainda alertou para o fato de que a maioria dos atos violentos contra crianças e adolescentes é praticada por pessoas conhecidas — em grande parte, por familiares —, ou seja, é preciso que os pais e profissionais da rede de proteção acompanhem de perto, e constantemente, os filhos, alunos, etc., para evitar que sofram qualquer tipo de crime sexual ou que essa violência continue. “Cuidem de seus filhos, cuidem dos próximos de vocês. Isso já faz uma grande diferença para o mundo que a gente espera ter no futuro”, declarou o juiz.

O juiz ainda informou que apenas 8% a 10% dos casos são notificados às autoridades e que a maioria das vítimas do Brasil é formada por mulheres negras — a maioria dos casos dentro de casa. Os números são alarmantes e é muito importante denunciar. “Em 2026, são mil casos de estupro ou outras violências sexuais contra crianças e adolescentes por dia no Brasil”.

A atuação dos órgãos de proteção é muito importante. Queiróz deu dicas práticas para que o Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) e o Conselho Tutelar, por exemplo, saibam ouvir as crianças e jovens que denunciam e encaminhar o caso, para acelerar o acompanhamento de cada família e a apuração de cada situação.

Creas demonstra práticas dos últimos anos

Os participantes do evento receberam dois materiais feitos pela Prefeitura e Conselho Tutelar, para ampliar a conscientização e aumentar as denúncias: um encarte explicativo e uma revistinha infantil, com explicações lúdicas.

A psicóloga Verônica Mônica de Carvalho, do Creas, apresentou dados do município, explicou o trabalho do equipamento para prevenir violências e ajudar vítimas, e enalteceu o trabalho de todos os envolvidos nas práticas dos últimos anos. Entre as políticas empreendidas, houve, por exemplo, várias ações nas escolas da cidade e, neste ano, ações com o envolvimento de adolescentes.

“Eu gostaria de honrar cada profissional que desenvolveu o trabalho, cada professor que abordou o tema em sala de aula mesmo que isso tocasse em áreas sensíveis da própria história, cada coordenador pedagógico que atendeu crianças, cada técnico de Cras (Centro de Referência de Assistência Social) e Creas que as atendeu, cada coordenador que permitiu que o seu técnico desenvolvesse o trabalho, etc.”, elogiou a servidora.

Na parte final do evento, um vídeo da Unidade Gestora Municipal de Desenvolvimento Social resumiu o trabalho recente. Entre maio e agosto de 2025, foram realizadas palestras, rodas de conversa e atividades educativas em escolas, creches, unidades de saúde e com famílias atendidas pelos serviços sociais da cidade. As ações envolveram estudantes, professores, pais e profissionais da rede pública de proteção, e compartilharam orientações sobre proteção, direitos das crianças e adolescentes, acolhimento e identificação de sinais de violência.

O vídeo ressaltou a grande relevância de um trabalho conjunto, realizado pelas Unidades Gestoras Municipais de Desenvolvimento Social, Educação e Saúde, que constrói ambientes mais seguros, acolhedores e comprometidos com a proteção das crianças e adolescentes.

Autoridades defendem constante luta contra a violência

O gestor municipal de Desenvolvimento Social, Leandro Marques, agradeceu o apoio dado pela administração do prefeito, professor Rodolfo Braga, e seu vice, João Paulo de Souza, ao trabalho desempenhado pelos administradores da pasta e dos profissionais do Suas (Sistema Único de Assistência Social) como um todo, na cidade. A união de esforços é muito importante para manter as políticas públicas em andamento e proteger, cada vez mais, as crianças e jovens.

“Esse trabalho só é possível com a união e integração entre os serviços e o compromisso de todos os profissionais que atuam diariamente na garantia de direitos”, disse. “Que este encontro renove em cada um de nós o compromisso de proteger a infância e adolescência. Muito obrigado a todos e tenhamos um ótimo evento”, complementou Marques.

O gestor executivo municipal de Governo e Administração, João Pedro Cremaschi, representou o prefeito, que não teve como participar. Para ele, o evento representou uma nova oportunidade de agregar conhecimento e transformá-lo em práticas que protejam as crianças e adolescentes. “As crianças e adolescentes contam com a gente, precisam da gente”, lembrou.

A dirigente de Ensino de Jundiaí, Elaine Damares, responsável pelo Ensino Estadual na região, também elogiou a importância do evento. “É nosso compromisso, é nosso dever proteger essas crianças e adolescentes contra toda a violência que possa ser causada por um indivíduo adulto. Então estamos aqui para fortalecer esse compromisso e nada melhor do que uma coletividade pensando no nosso bem comum, nosso bem maior, que são as nossas crianças e adolescentes, para a gente fazer essa proteção. Porque, protegendo as crianças e os adolescentes, nós estamos protegendo o nosso futuro”, declarou.

O presidente da Câmara, Eliseu Notário, e os gestores executivos municipais de Desenvolvimento Social, Renato Martinez e Elaine Lorencini, e a delegada da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) da cidade, Ingrid Hannah Carneiro Schossler, também estiveram presentes.

Denuncie

Para denunciar, contate o Disque 100 ou acione o Conselho Tutelar pelo número (11) 4595-8555. Os canais funcionam 24 horas por dia e preservam o anonimato do denunciante.

As denúncias anônimas também podem ser feitas ao Creas, pelo telefone (11) 4606-0437, de

segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas.

E ainda há a opção de denunciar presencialmente, de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas no Conselho Tutelar — Avenida Eduardo de Castro, 589, Vila São José; ou no Creas, na Rua Arajá, 199, Vila Tupi.

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