O conjunto de medidas anunciadas pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao longo de 2026 já envolve cerca de R$ 193,8 bilhões, segundo levantamento da Folha de S.Paulo baseado em dados oficiais e avaliações de especialistas. O pacote reúne 20 ações voltadas a diferentes setores e públicos.
Entre as iniciativas mais recentes estão o reajuste do Bolsa Família e medidas para reduzir os efeitos da alta dos combustíveis. O benefício mínimo passou de R$ 600 para R$ 691. A mudança representa um custo estimado de R$ 5,8 bilhões para os cofres públicos ainda em 2026 e de R$ 22,7 bilhões em 2027.
No setor de combustíveis, o governo anunciou uma subvenção de R$ 1 por litro de diesel, com impacto estimado em aproximadamente R$ 5 bilhões por mês. Também foi determinada a desoneração de PIS/Cofins sobre gasolina e etanol hidratado, com custo aproximado de R$ 2 bilhões mensais. As medidas têm previsão inicial até outubro, mas podem ser prorrogadas.
Segundo o levantamento, nove das 20 ações possuem potencial impacto direto nas contas públicas, por meio de despesas ou renúncias de receitas. As demais envolvem principalmente linhas de crédito com juros reduzidos, utilizando fundos públicos para oferecer garantias ao sistema financeiro.
O governo nega que as medidas tenham finalidade eleitoral e afirma que elas estão previstas dentro das regras orçamentárias. A discussão ocorre em meio à disputa presidencial e após o período de três meses que antecede a eleição, quando existem restrições para determinadas ações de comunicação e eventos oficiais.
Entre outras iniciativas está o Move Brasil, que disponibiliza R$ 30 bilhões em crédito para motoristas de aplicativos e taxistas comprarem veículos. O governo também reforçou em R$ 500 milhões os recursos para descontos do Minha Casa, Minha Vida e revogou a tributação sobre compras internacionais de até US$ 50.
A situação fiscal, porém, ainda depende da arrecadação. O governo projeta superávit de R$ 10,8 bilhões em 2026, mas receitas com dividendos de estatais e tributação de dividendos estão abaixo das expectativas, segundo a reportagem. O TCU já alertou sobre o desempenho da arrecadação.