Relatórios entregues pela Meta ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) revelaram que anúncios com informações falsas contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) foram impulsionados por contas com registros e acessos realizados a partir do exterior. A campanha agora cobra da empresa a identificação do responsável pelo pagamento das publicações.
Segundo os documentos apresentados à Justiça, as contas utilizaram emails temporários e foram acessadas por conexões localizadas em países como Colômbia, Venezuela, Vietnã e Ilhas Maurício. O TRE-SP determinou que a Meta apresente, em até 48 horas, informações que possam levar à identificação do financiador.
As publicações, posteriormente retiradas do ar, questionavam a privatização da Sabesp e faziam uma associação entre a operação e o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master. Outra postagem acusava Tarcísio de ter descumprido uma promessa relacionada aos valores das contas de água após a privatização da companhia.
O conteúdo foi divulgado pelas páginas anônimas “A Engrenagem” e “Contra a Maré”. Os anúncios foram direcionados ao público de São Paulo e tinham potencial de alcançar cerca de 171 mil usuários. A Meta recebeu aproximadamente R$ 2 mil pelo impulsionamento.
De acordo com os relatórios, uma das contas foi criada com telefone de prefixo do Paraná, endereço informado como Pacaembu, em São Paulo, e email de serviço temporário. A estrutura também estava ligada a uma conta antiga, criada em 2021, que registrava conexão originada nas Ilhas Maurício e cadastro com nome vietnamita. Acessos frequentes partiram de Hanói.
Outros administradores identificados pela plataforma utilizaram dados associados à Colômbia e à Venezuela. Para o Republicanos, uma das possibilidades é que a estrutura tenha sido montada por poucas pessoas ou até por um único responsável utilizando mecanismos para ocultar a origem dos acessos.
A Meta afirma que a legislação exige a guarda de dados básicos de conexão, como IP, data e horário, e sustenta que não é obrigada a armazenar CPF, CNPJ ou informações adicionais de faturamento dos anunciantes.
O caso segue em análise pela Justiça Eleitoral.