O Sistema Único de Saúde (SUS) decidiu não incorporar a vacina contra herpes-zóster, conhecida como cobreiro, após avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). A decisão, publicada nesta segunda-feira (12) no Diário Oficial da União, refere-se ao imunizante recombinante adjuvado, analisado para idosos com 80 anos ou mais e para pessoas imunocomprometidas a partir de 18 anos.
Segundo o Ministério da Saúde, apesar do reconhecimento da eficácia e da relevância clínica da vacina, o principal fator para a negativa foi o alto custo e o impacto orçamentário. A estimativa da Conitec aponta que a incorporação poderia gerar um gasto superior a R$ 5,2 bilhões em cinco anos, valor considerado incompatível com as prioridades atuais do Programa Nacional de Imunizações.
A vacina previne a reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo da catapora, que permanece latente no organismo e pode reaparecer principalmente em idosos e pessoas com baixa imunidade. O imunizante disponível no Brasil apresenta eficácia em torno de 90% e reduz significativamente o risco de complicações, como a neuralgia pós-herpética, dor crônica que pode persistir por meses ou anos.
Estudos recentes também investigam possíveis benefícios indiretos da vacinação, como redução de eventos cardiovasculares e menor incidência de demência, embora especialistas ressaltem que essas evidências ainda não alteram as indicações formais da vacina.
Atualmente, a vacina contra herpes-zóster não integra o SUS e está disponível apenas na rede privada, com custo entre R$ 900 e R$ 1.200 por dose, sendo necessárias duas aplicações. O Ministério da Saúde informou que o tema poderá ser reavaliado no futuro, caso surjam novas evidências ou propostas de redução de preço por parte do fabricante.