Miomas uterinos: quando a cirurgia para a retirada é realmente necessária?

Os miomas uterinos, também chamados de fibromas, atingem até 70% das mulheres em idade reprodutiva, segundo a Organização Mundial da Saúde, e são responsáveis por cerca de 30% das cirurgias ginecológicas realizadas no Brasil. Apesar da alta incidência, muitos casos são silenciosos e não requerem intervenção, o que torna a avaliação clínica individualizada essencial para evitar tratamentos desnecessários.

“A decisão de operar um mioma deve ser muito bem ponderada. Hoje temos critérios claros para a indicação cirúrgica, mas também dispomos de alternativas menos invasivas e tecnologias que mudaram completamente a forma de tratar esses casos”, explica o ginecologista Dr. Marcos Tcherniakovsky, diretor de comunicação da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE).

Os principais sinais de alerta que justificam a cirurgia incluem sangramentos uterinos anormais que causam anemia, dores pélvicas recorrentes, aumento progressivo do volume abdominal, compressão de órgãos vizinhos (como bexiga e intestino) e infertilidade associada. “Quando esses sintomas impactam diretamente a saúde física, emocional ou o planejamento reprodutivo da paciente, a cirurgia passa a ser uma ferramenta terapêutica , mas nem sempre ela significa retirada total do útero, como muitas mulheres ainda acreditam”, esclarece Tcherniakovsky.

Entre os avanços mais relevantes, destacam-se as técnicas minimamente invasivas como a videolaparoscopia, que permite a remoção de miomas com pequenas incisões e rápida recuperação, e a histeroscopia, indicada para miomas intracavitários, em que o acesso é feito por via vaginal, sem cortes abdominais.

Outras técnicas chamadas de Ultra minimamente invasiva como a Radiofrequência e tratamentos por Microondas também vem ocupando cada vez mais o espaço sem a necessidade de cortes. Claro que cada caso tem que ser muito bem avaliado para determinarmos as melhores opções.

A embolização das artérias uterinas, por sua vez, tem se mostrado eficaz para mulheres em casos de úteros extremamente aumentados e que desejam evitar a cirurgia, com taxas de sucesso superiores a 80% na redução do volume dos miomas e melhora dos sintomas, segundo estudo publicado no Journal of Vascular and Interventional Radiology.

Medicamentos também evoluíram para controle do sangramento uterino anormal: o uso de moduladores seletivos dos receptores de progesterona e análogos do GnRH podem reduzir temporariamente o tamanho dos miomas e controlar o sangramento. “Essas terapias podem ser indicadas como preparação para a cirurgia ou, em alguns casos, como alternativa para quem ainda deseja engravidar, dependendo do perfil hormonal e da resposta clínica”, aponta o especialista.

Tcherniakovsky ressalta ainda a importância de romper mitos que cercam o diagnóstico: “Muitas mulheres entram em pânico ao ouvir que têm miomas, quando na verdade a maioria dos casos pode ser acompanhada com exames periódicos e ajustes no estilo de vida. A cirurgia não é – e nem deve ser – a primeira opção. O nosso papel é informar, acalmar e planejar o tratamento com base em evidências e nos desejos da paciente”.

Com o avanço das tecnologias e o foco crescente na medicina personalizada, o tratamento dos miomas caminha para uma abordagem mais conservadora, eficaz e humanizada, onde preservar a saúde reprodutiva e a qualidade de vida é a prioridade central.

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