Mortalidade por hepatite viral cresce entre idosos e chega a 20,9% em pacientes acima de 80 anos

Um levantamento com dados do Sistema Único de Saúde (SUS) revelou que a mortalidade por hepatites virais aumenta significativamente com o avanço da idade. Entre pacientes com 80 anos ou mais internados pela doença, cerca de um em cada cinco não sobrevive à hospitalização, índice que chega a 20,9%.

O estudo, realizado pelo Grupo IAG Saúde com base em informações do DataSUS, analisou 42.314 internações registradas entre 2016 e 2025. No período, a taxa geral de mortalidade hospitalar foi de 7,8%, mas os números crescem conforme a faixa etária. Entre adultos de 18 a 59 anos, o índice é de 6,5%; entre 60 e 69 anos sobe para 14,2%; entre 70 e 79 anos alcança 16,1%; e ultrapassa 20% nos pacientes com 80 anos ou mais.

Os dados ganham destaque durante o Julho Amarelo, campanha de conscientização sobre as hepatites virais, lembrada no Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, celebrado em 28 de julho.

Especialistas alertam que as hepatites B, C e D podem permanecer por muitos anos sem apresentar sintomas. Mesmo sem sinais evidentes, a doença continua provocando danos ao fígado, podendo evoluir para fibrose, cirrose, câncer hepático e, em casos graves, exigir transplante.

O infectologista Alexandre Naime Barbosa, da Unesp e da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, destaca que o risco de morte não depende apenas da infecção, mas também da idade, das condições de saúde do paciente e, principalmente, do momento em que o diagnóstico é feito.

O levantamento também aponta que pacientes internados por hepatite crônica apresentam mortalidade maior (10,1%) do que aqueles com hepatite aguda (7,1%), já que a forma crônica representa uma agressão prolongada ao fígado.

Na análise regional, o Norte registra a maior taxa de internações por hepatites virais, enquanto o Nordeste apresenta a maior mortalidade hospitalar. Segundo especialistas, essas diferenças refletem desigualdades no acesso ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento médico.

O SUS oferece vacinação contra as hepatites A e B, além de testes e tratamento gratuitos para as hepatites B e C. A orientação é que pessoas com fatores de risco, especialmente idosos e quem recebeu transfusões de sangue há décadas, realizem a testagem, já que o diagnóstico precoce aumenta as chances de tratamento e reduz complicações graves.

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