O Ministério Público de São Paulo denunciou o ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, e o atual gerente financeiro do clube, Roberto Gavioli, por suposto uso irregular do cartão corporativo em gestões anteriores. A acusação, apresentada pelo promotor Cássio Conserino, envolve os crimes de apropriação indébita, lavagem de dinheiro e falsidade de documento tributário.
A investigação começou em julho de 2025, após denúncias de torcedores e a divulgação de faturas pelo perfil @Prmalaoficial, na rede X. Segundo o MP, os cartões foram usados por Andrés “como se fossem privados”, com despesas pessoais entre 2018 e 2020, totalizando cerca de R$ 480 mil. Entre os gastos questionados estão drogarias, relojoarias, clínicas, duty-frees e uma conta de R$ 15 mil em Fernando de Noronha.
O promotor afirmou que os recursos pertencem ao clube e não ao dirigente, destacando que houve “inversão da propriedade” dos valores. Gavioli, então gerente financeiro, teria falhado em impedir o uso indevido dos cartões. Ele foi afastado de suas funções, sem remuneração, até o fim do processo.
Em nota, o Corinthians informou acompanhar o caso e se colocou à disposição do MP, além de confirmar o afastamento de Gavioli. Andrés Sanchez também pediu afastamento dos cargos que ocupava no Conselho Deliberativo e no CORI do clube.
A defesa de Andrés alegou surpresa com a denúncia, que teria sido apresentada em “apartado” do processo principal, e afirmou que a inocência do ex-presidente será comprovada em juízo.
O MP agora ampliará as apurações para incluir os gastos da gestão de Duilio Monteiro Alves, sucessor de Andrés. Um depoimento de Denílson Grilo, ex-motorista de Duilio, está marcado para 23 de outubro. Duilio declarou, à época da abertura do inquérito, que considera a investigação “oportuna e salutar” e que foi o primeiro a solicitar apuração interna e criminal dos fatos.