O mercado de medicamentos para emagrecimento teve forte crescimento no Brasil. Em janeiro de 2026, farmácias venderam 443.815 caixas de canetas emagrecedoras, com destaque para Mounjaro, responsável por 52,8% das vendas, seguido por Wegovy, com 24,8%.
Os dados são do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), ligado à Anvisa, e representam o primeiro recorte público desde a retomada da obrigatoriedade de registro, em 2025.
Também aparecem no levantamento medicamentos como Ozempic e Rybelsus. No total, os produtos analisados são agonistas do hormônio GLP-1, usados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.
O perfil dos consumidores é majoritariamente feminino, com idade média de 47 anos. A faixa entre 40 e 49 anos concentra 26,5% das compras. Regionalmente, o Sudeste lidera, com 60,4% das aquisições.
Apesar da alta procura, especialistas alertam para riscos. Segundo a Anvisa, 32% dos eventos adversos ligados à semaglutida estão associados ao uso fora das indicações da bula. As consequências a longo prazo ainda são desconhecidas.
Quase todas as vendas (98,1%) foram feitas com prescrição médica. Ainda assim, houve registros de uso fora da faixa etária recomendada.
Com a queda da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, a expectativa é de redução de preços e ampliação do acesso. Atualmente, os medicamentos ainda têm alto custo, com caixas que podem ultrapassar R$ 1.500, concentrando o consumo nas classes de maior renda.