Fazer churrasco nos Estados Unidos está cada vez mais caro e a situação não deve melhorar tão cedo.
Os preços da carne no país vêm batendo recordes. Em junho, por exemplo, o preço médio de 450 gramas de carne moída chegou a US$ 6,12, um aumento de quase 12% em relação ao ano passado, segundo dados do governo dos EUA.
Mas isso não é recente. Os preços da carne vêm subindo de forma constante nos últimos 20 anos por causa de uma diminuição do rebanho bovino americano, que chegou ao seu menor nível em 2025, em 74 anos.
E as tarifas que Donald Trump impôs a grandes produtores de carne, como o Brasil, devem pressionar ainda mais a inflação.
E não é só isso. O governo americano teme que uma praga que atingiu rebanhos no México chegue aos EUA e coloque em risco os animais do país. Trata-se da mosca-da-bicheira, cujas larvas se alimentam da carne viva dos bois.
A indústria de carne bovina nos EUA tem aprimorado a criação de animais maiores, permitindo que os pecuaristas produzam a mesma quantidade de carne com menos cabeças de gado, segundo David Anderson, economista especializado em pecuária da Texas A&M.
A seca continua sendo um problema no oeste do país desde então, e o preço da ração tem pressionado ainda mais os pecuaristas, que já operam com margens de lucro pequenas.
Como resposta, muitos agricultores abateram mais fêmeas do que o normal, o que ajudou a manter o fornecimento de carne a curto prazo, mas reduziu o tamanho dos rebanhos futuros. A menor oferta de gado elevou os preços.
Nos últimos anos, os preços dos bois dispararam. As cotações mais recentes apontam que os bois estão sendo vendidos por US$ 230 a cada cerca de 45 quilos.
Esses valores mais altos incentivam os pecuaristas a vender mais fêmeas, em vez de mantê-las para reprodução, já que os preços futuros podem cair, segundo Anderson.
“Para eles, o dilema é: ‘vendo esse animal agora e embolso esse lucro recorde?’ Ou ‘mantenho ela para gerar retorno ao longo da sua vida produtiva, tendo bezerros?’”, disse Anderson. “É um jogo de equilíbrio, e até agora o lado que tem vencido é o da venda imediata.”
O surgimento de uma praga devoradora de carne em rebanhos do México aumentou ainda mais a pressão sobre a oferta, já que os EUA suspenderam todas as importações de gado do país vizinho no ano passado. Cerca de 4% do gado abatido para carne nos EUA vem do México.
O parasita é a mosca-da-bicheira do Novo Mundo.
As fêmeas depositam ovos em feridas de animais de sangue quente. As larvas que nascem se alimentam de carne e fluidos vivos, e não de matéria morta, o que é incomum entre moscas.
As tarifas impostas pelo ex-presidente Donald Trump ainda não tiveram grande impacto sobre os preços da carne, mas podem se tornar outro fator de alta, já que os EUA importam cerca de 1,8 milhão de toneladas de carne bovina por ano.
Grande parte dessa carne importada são cortes magros, usadas por frigoríficos para misturar com a carne mais gorda produzida nos EUA, o que dá origem a diversos tipos de carne moída que o consumidor americano deseja.
Boa parte desses cortes vem da Austrália e da Nova Zelândia, que enfrentam tarifa de apenas 10%. Mas outra parte vem do Brasil, onde Trump ameaçou tarifas de até 50%.
Se essas taxas forem mantidas por muito tempo, os frigoríficos terão que pagar mais caro pela carne magra importada — algo difícil de substituir com produção nacional, já que o sistema dos EUA é voltado para produzir carne mais gorda, ideal para bifes marmorizados.