O líder do PSB na Câmara dos Deputados, Pedro Campos (PE), considera que a atual crise entre Poderes não traduz uma dificuldade específica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas um novo funcionamento da democracia brasileira. Ele também afirmou que o seu partido quer manter Geraldo Alckmin na vice do petista na eleição do próximo ano, mas que estará junto com o atual chefe do Executivo independentemente da acomodação na chapa.
“Essa instabilidade não é um momento específico do decreto do IOF. A gente vive há alguns anos no Brasil, inclusive desde o governo anterior, muito tensionamento entre os Poderes e questões que são, de certa forma, superdimensionadas também. A gente viveu, por exemplo, no caso Ramagem, uma discussão da Câmara com o Supremo Tribunal Federal (STF) sobre qual era o limite a lei do trancamento de ação penal”, disse Pedro Campos.
O PSB é um dos partidos mais próximos ao PT, mas nove dos seus 15 deputados foram a favor da derrubada do reajuste do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Com 383 votos a favor e 98 contrários, a proposta para impedir a alta na taxação sagrou a maior derrota do governo Lula 3. Para Pedro Campos, trata-se de uma fotografia do momento, e não de um parecer final sobre o real tamanho da base do Planalto.
“Você estava votando ali um aumento de imposto, que é muito cômodo para os deputados votarem contra. Agora, mundo tem uma responsabilidade. Você não pode cobrar responsabilidade fiscal, cumprimento do arcabouço, meta de primário e não ter a coragem de chegar no Congresso e votar pelo aumento da arrecadação, ou pelo fim dos incentivos tributários, nem de votar questões em relação a corte de gastos”, afirmou.