A Organização Meteorológica Mundial (OMM) confirmou que 2025 foi o terceiro ano mais quente já registrado, reforçando dados do serviço Copernicus, da União Europeia, segundo os quais os últimos 11 anos foram os mais quentes da história. Mesmo com a influência do fenômeno La Niña no início e no fim do ano, o acúmulo de gases de efeito estufa manteve as temperaturas globais em níveis elevados.
De acordo com a OMM, o aquecimento médio global em 2025 ficou 1,44°C acima dos níveis pré-industriais, com margem de erro de 0,13°C. Dos oito conjuntos de dados analisados, dois classificam 2025 como o segundo ano mais quente e seis como o terceiro. O Copernicus destacou ainda que o último triênio foi o primeiro a ultrapassar, em média, o limite de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris, indicando que esse patamar poderá ser definitivamente superado por volta de 2029.
A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, afirmou que as altas temperaturas em terra e nos oceanos contribuíram para o aumento de eventos climáticos extremos, como ondas de calor, chuvas intensas e ciclones tropicais, ressaltando a importância de sistemas de alerta precoce. Segundo a entidade, cerca de 90% do excesso de calor causado pela atividade humana é absorvido pelos oceanos, que atingiram em 2025 alguns dos níveis mais altos já registrados.
O relatório também chama atenção para o contexto político internacional. Saulo destacou a importância do monitoramento climático em meio a retrocessos ambientais, citando a decisão do governo dos Estados Unidos de deixar o IPCC e a Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima, medida que pode afetar negativamente a cooperação científica global sobre o tema.